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domingo, 27 de março de 2016

A Pedra


Pode não parecer simples, não ter significado algum, apenas mais um dia que se passou e teve uma história diferente para contar. História que muitas vezes na visão de outra possa parecer idiota, sem importância, repetitiva e mesmo que seja verdade ficou marcada na memória de pelo menos um dos que a viveu. Pois se não, não estaria sendo escrita!

Eu a vejo como uma pedra, defini assim como ela é, tal como o poeta escreveu. Aquela que aparece no caminho e causou algum sentimento inesperado, marcante, bom, desconfortante, inesquecível. Assim que ela é, a pedra! Foi diferente e por mais que tente transformar em palavras o que realmente uma pessoa assim pode ser, estarei pecando por não poder dizer a realidade.

Nada de descrições, veja por você mesmo sua pedra a que pesa aí no terreno mole de seu coração... a minha já tem seu lugar marcado.


Pode parecer ruim colocar pedras em um lugar onde você deveria plantar alguma coisa, mas pense dessa forma: 

"Aqui nessa área com tantos metros quadrados construirei minha casa e o terreno bem que está precisando de uma sustentação."   

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Amor


COMO FALAR SOBRE O amor, eu o rapaz que nunca foi amado? Aquele que não se fez interessante, construindo um enorme muro entre mim e qualquer mulher possível, qualquer pessoa na fase da terra. E se alguma vez teve a oportunidade de conseguir... Colocou tudo a perder.

A expectativa da eterna solidão é bastante desagradável, será que a morte pode ser um caminho bem visto. Desista de tudo, só por não conseguir, covarde.

terça-feira, 6 de maio de 2014

DE TODO CORAÇÃO




PROCUROU EM TODAS AS gavetas da casa, muitas gavetas, mas não encontrou. Cada minuto que passava significava que podia ser pego e, se fosse pego seria o fim. Claro que tinha a oportunidade de ele não encontrar o papel, mas tinha que tentar.

Já dera uma olhada nas estantes de livros, ele tinha Julio Verne e Jack London, Kafka e Machado de Assis. Há, ele foi feito pra mim!

E nos últimos minutos da chegada de Miguel, o desespero o dominou. Não encontrava o papel em que colocou todo o seu coração, definindo o amor errado que cultivava no peito.

Uma mosca enjoada começou a atormentá-lo e nada que fizesse conseguia afastá-la. Sai... Sai... Daqui, tenho que ir embora. Disse no mesmo estante em que a chave girava na porta de entrada.

Um lindo rosto de cabelos cacheados se mostrou a seus olhos. Miguel espantado ao vê-lo parado ali na sala, disse que tinham que conversar e mostrou um papel dobrado entre suas mãos.

Se sentou no sofá, meio tremulo, era o fim. Iria odiá-lo para sempre, Miguel nunca mais vai falar comigo.


Quero escutar de sua boca, fale, não tenha medo. Você me ama Paulo? Não conseguiu responder, seu coração palpitava no peito, a boca seca dava a intenção que iria se despedaçar se dissesse uma única palavra. Então só conseguiu balançar a cabeça afirmativamente.

sábado, 3 de maio de 2014

Duas Mulheres




- I -

UMA LUZ QUE VEM da esquerda ilumina seu rosto de  um jeito meigo, eu diria, até brincalhão!

Os olhos arredondados. Consigo ver toda a circunferência de sua ires verde, mas que me parece ser azul. As mechas do cabelo curto caem sobre o olho esquerdo, não o cobrindo totalmente.

A sobrancelha é meio apagada, os cílios curtos.

Sua boca sorri mostrando duas covinhas interessantes. O nariz uniforme forma luz e sombra.  E sua pele branca, seu queixo fino arredondado.

Do nada uma frase agourenta surge em minha cabeça, gritando sem parar: “NUNCA... NUNCA SERÁ!”

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O BEIJO DE DAVI


"PORQUE MORRER É UMA OU OUTRA DESTAS COISAS: OU O MORTO NÃO TEM ABSOLUTAMENTE NENHUMA EXISTÊNCIA, NENHUMA CONSCIÊNCIA DO QUE QUER QUE SEJA, OU, COMO SE COSTUMA DIZER, A MORTE É PRECISAMENTE UMA MUDANÇA DE EXISTÊNCIA E, PARA A ALMA, UMA MIGRAÇÃO DESTE LUGAR PARA UM OUTRO. SE, DE FATO, NÃO HÁ SENSAÇÃO ALGUMA, MAS É COMO UM SONO, A MORTE SERIA UM MARAVILHOSO PRESENTE."

- APOLOGIA DE SÓCRATES -

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E NO MOMENTO DE sua morte, via toda a vida passando sobre seus olhos castanhos, vidrados.

Sua infância rápida e sem graça, em que jurava saber o momento que criou consciência de si mesmo. Dizia: “acorda pra vida Davi”, frase falada por sua mãe.

Seus namoros, meu deus por que tão poucas namoradas? O primeiro beijo que demorou tanto a chegar, mas muito lembrado: Natália era o nome dela, a bela menina.

Fez faculdade de desenho industrial que trancou um ano antes de terminar. Lá conheceu Isabel, a forte de espírito, primeira mulher que se deu de corpo e alma a ele. Isabel a inesquecível.

Trabalhou em muitos lugares, falou muitas besteiras, conseguiu o ódio de varias pessoas. Ficou bêbado, odiou, amou, chorou.   

E conheceu Carol, a lúcida, sua eterna mulher companheira de todas as horas. Viveram muitos anos juntos.

Até que em uma briga de bar, levou um tiro no peito. E a morte se aproximou com o rosto de Natália e Isabel. E o beijo que ela lhe deu foi com a boca de Carol, beijo que sugou a alma de Davi para a eternidade. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

SOBRE A LUA



SOBRE A LUA DO céu ou a lua do mar ela se pôs a esperar.

Sentada em um banquinho olhava o horizonte na esperança de ter algum sinal. Um barco a vela ou a vapor que lhe trouxesse qualquer noticia de seu amor.

Linda mocinha de pele morena, olhos levemente puxados e sorriso precavido. Às vezes se levantava tentando olhar mais longe e mostrando um pescoço de pele macia e delicada.

Sobre a luz das estrelas se punha a pensar, para onde ter que olhar, qual constelação iria contar sobre um homem há muito tempo distante que já não mais vai voltar.

E num belo dia, noticia de morte veio correndo. Morto em luta! Acabada a espera o banquinho ficou no canto, abandonado.

Sobre a lua do céu ou a lua do mar não tinha mais o que esperar.

terça-feira, 8 de abril de 2014

CAMÉLIA


"A SOLIDÃO RESPIRA EM seu rosto
O desespero passa lhe a perna, senta em seu peito.
Mesmo assim os lindos lábios da esperança se mostram ao longe.
Por entre cabelos longos e esvoaçantes, ti chama..."

Escreveu o poeta, pensando em sua bela amada. Mas o que fazer? Ela tinha acabado de morrer e de uma maneira bem idiota, se engasgara com um pedaço de maçã.

No enterro de Camélia, pois esse era o nome dela, ele ficou ao lado de um caixão negro como a noite.

Via um rosto sem vida, o rosto de uma boneca, uma casa sem morada.


E agora sentado no banco da praça, percebeu que o vermelho das flores do velório, era o sangue coagulado que de alguma forma escapulira daquele corpo. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Ela



Um ser que cria significado em tudo,
Em que as palavras “amor” e “paixão” se misturam num coração dilatado.

O leve subir e descer da respiração traz tranquilidade a cabeças atormentadas.

A morna maciez do tato na pele irisada de pelos macios e delicados,

As línguas se tocando no eterno salivar e a ânsia de absorver o ser amado.

Os olhos estão lacrados de sensações mundanas

Nada pode ser visto a eternidade passa por aqui.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A VIDA


AS LUZES SE ASCENDEM, chamando todas as atenções, o burburinho se aquieta. Palco iluminado, um ator em sena, único e solitário rapaz:

“Vou falar de coisas distantes, alcançáveis apenas pelas mãos do pensamento. Falarei sobre sentimentos disfarçados pela leve capa da falsidade, desejos indiscretos, olhares mal interpretados ou nem tanto. Sobre a dificuldade de se dizer uma única palavra e em alguns momentos, se tornar impossível organizar o pensamento. Disso e muito mais falarei!”

Apresentações feitas, uma cortina se abre e o rapaz sai de sena mostrando um casal, cada um em seus afazeres da vida. Um homem e uma mulher que sabem que o outro existe, mas não dão nenhuma importância na imagem de seu contrario. Ele lê, ela escuta musica.

Fora o fato de que a vida dos dois seguia por linhas completamente diferentes, eles não devem se envolver de nenhuma forma. Apenas por um olhar dela de vez em quanto e um leve cochichar: “que garoto estranho!”

Ele tinha grandes cenas de batalhas entre seus heróis, rolando em sua mente. Homens valorosos que lutavam por algo que valia apena, não apenas viver, por um bem maior. Naquelas fantasias se expressava bem. Derrotava monstros, conquistando a vitória facilmente. Em sua realidade as dificuldades falavam mais auto. 

A menina também gostava de ler, mas presa a terra ou nem tanto estava à espera de um príncipe encantado e, assim se foi passando o tempo.

Encontraram-se na faculdade, os dois com o sonho de serem professores. Descobrindo mais coisas em comum do que se imaginariam ter.

Ela era possessiva aos extremos!

Ele a amava tanto, sentia uma necessidade enorme de conservá-la junto a si.

Os dois começaram um belo namoro, com todas as formalidades de se apresentar as famílias de cada um, construindo laços. E tão inesperadamente o primeiro e único filho veio os unindo ainda mais.

Já moravam juntos e continuariam assim até que a morte os separasse.

A cortina se fecha e novamente a ator solitário entra em sena.

“Não esperemos que esse seja um final feliz, meus caros amigos. Talvez nem tenha começado ainda, pode ser apenas um desejo, a ânsia de se realizar um destino ainda muito distante.”  
   


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

TENTANDO LEMBRAR


SENTADO NA FRENTE DO computador, remexendo em suas pastas, ele percebeu aquela foto solitária em uma pasta que não deveria estar no lugar em que eram guardados arquivos de texto. Se orgulhava de que sabia onde  tinha colocado qualquer arquivo, Mas aquele não deveria estar lá.

Em um pequeno quadradinho na tela, podia ver uma menina, com dois clicks ampliou o visor. Não conseguia se lembrar daquele rosto sorridente, talvez tenha bloqueado algum fato de suas lembranças, afinal já era velho e muitas pessoas da infância já desapareceram de sua vida. Tentava marcar um nome naquele sorriso, naqueles olhos e nos óculos, mas... Como saber.

Nomes são meros rótulos. Talvez uma letra, a primeira, ajudaria a lembrar.

Porque não tinha escrito uma informação sequer naquele arquivo?

Ninguém tinha mexido no computador!

Com certeza ela era um amor de há muito tempo.


Colocando-a no lugar devido e ainda sem saber quem era, a deixou quieta por um tempo. Quem sabe viria do nada alguma lembrança boa relacionada aquele rosto e o nome depois, seria uma consequência.                   

sábado, 14 de setembro de 2013

A CARTA QUE NÃO FOI




INCAPAZ SOU EU DE DIZER esse eterno clichê: “ti amo” afirmação incompleta, porque logo depois deveria vir o pedido de: “Quer ser minha namorada”, Isadora espero que entenda. Por isso fico preso entre outra eterna questão, a do não.

Tento escrever essa carta só como um passa tempo, depois a rasgarei, talvez esperando que o amor que penso ter por você suma em um passe de mágica, no simples picotar da folha.

Somos bastante amigos, sei que você gosta de estar do meu lado, sei que muitas vezes quer minha companhia. Não por amar esse garoto, criança que sou, mas por me achar interessante por falar o que você gosta e de nenhum modo ti contradizer e eu me divirto com isso.

Seu personagem preferido, justamente um detetive de que li todas as histórias. Me fala de Sherlock Holmes e eu ti apresento Poirot. Conhece Romeu e Julieta e eu Tristão e Isolda.  E assim por diante, um, completando, o outro. E você sorrindo a todo instante!

É uma tortura para mim e, ao mesmo tempo como já disse me divirto.

Não sei se é verdade, mas já me falou que gosta de imaginar coisas irreais. Como uma árvore crescendo em uma velocidade espantosa, deste da semente plantada a poucos centímetros de baixo da terra ao troco criando forma e as folhas e flores aparecendo magicamente. Consigo imaginar nos mínimos detalhes.

Também tenho o costume de imaginar e agora me vem à cabeça que sua árvore começa a dar frutos, mas que por estarem muito no alto, não consigo pegá-los. As folhas caem já amareladas pelo tempo, as vejo rodopiar como se não tivessem peso. Os frutos não estão mais lá, os galhos completamente secos. E só aí percebo que estou dizendo besteiras.

De seu amigo, Isaias.
14 de setembro de 2013


PS: Agora decido que não vou rasgar a carta. Não vale apena, é uma lembrança boa! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

“Nunca Mais”


UM PASSARINHO POUSADO NA janela, me contou, muito malvado que é que eu não encontraria o amor. E talvez, querendo imitar um parente seu, dos estrangeiros, danou em repetir: “Nunca mais”*. E eu nervoso que sou não sei por que, me pus a gargalhar.

Pássaro enxerido como se coloca a dizer besteiras, imitando um corvo das antigas, nada sabe do que fala! E ele insistia “NUNCA MAIS”.

Sabendo que iria bater na mesma tecla, fiquei quieto. E ele o mesmo fez.

Quieto e pensativo eu fiquei, com a certeza de que ele estava errado. Afinal a garota do meu lado, era o sinal de seu erro. Com seus longos cabelos negros e olhos que a tudo descobrem, fiquei mais tranquilo! Mas ela me olha curiosa, querendo saber o que tinha acontecido e eu sem olhar em seus olhos nada digo.

Ele ainda pousado na janela repeti seu canto: “Nunca mais”, mas percebo que está indeciso olhando para ela. Que  o vê e, apenas sorri de leve, talvez descobrindo tudo.

Passarinho amarelo esverdeado, você nada sabe sobre mim, cria juízo e deixa de se americanizar. Ele  cansado de repetir seu canto e com certeza de ter errado, se põe a voar.  
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*O CORVO  (Edgar Allan Poe)


domingo, 4 de agosto de 2013

ROSTO


TENTO DESENHAR UM ROSTO de mulher... Garota. Começo pelos olhos, já preparado com a borracha do meu lado, nos primeiros traços o papel já consegui me ver. Sobrancelhas, nariz a tudo dou forma.

 Boca... Paro indeciso, mil possibilidades de sorrisos ela tem. Mostro seus dentes aparecendo por entre os lábios, em um sorriso largo ou simplesmente um meio sorriso? Sinal de timidez. Seus olhos estão olhando para baixo, o que me faz escolher a timidez.

Seus cabelos negros e ondulados emolduram o rosto. O queixo simplesmente perfeito.

Vou para os detalhes, dou volume com as sombras, com medo de  borrar com o suor de minhas mãos. Coloco o brilho em seus olhos, sinal de que existe alguém lá dentro! As minúsculas covinhas nos cantos de sua boca são convidativas.

Mas no final, percebo que algo falta. Não sei bem o que! Motivo que me faz não mostra-lo a ninguém, simplesmente esconder por entre outros desenhos de minha pasta.   

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

De Tarde


ANDANDO NAQUELA RUA EMPOEIRADA, já de noite, estava pensativo o que lhe deixava deprimido. Ela caminhava do seu lado agarrada em seu braço esquerdo, poucas coisas pra falar, em cada passo que davam ele sentia o aperto que ela fazia em seu braço. Estava indeciso procurando qualquer coisa que valesse a pena ser dita, nada vinha e o silencio a afligia. 

Olhou para o céu pintado de milhões de estrelas, muitas palavras soltas surgiram do nada e quase disse uma delas. Mas antes, bem antes que ela saísse a espremeu entre os dentes no momento em que a língua desobediente alcançou o céu da boca.

A menina perguntou qualquer coisa que ele respondeu rapidamente sem pensar duas vezes. Se sentiu agradecido por ela ter desfeito o silencio entre os dois. Se olharam com carinho, ela sorri deliciosamente. Que bobo era que não a beijou naquele momento.

A lua o olhou sarcástica com seus dentes amarelos de orelha a orelha, vão andando mais alguns passos, ela quase tropeça e ele rapidamente a segura, um obrigado vem em seguida acompanhado de um suspiro de satisfação. Realmente linda, com seus longos cabelos negros, sua voz que ele adora escutar, seu sorriso que tanta alegria lhe dava. Não esperou mais nada e a beijou!