O BLOCO
ESTAVA NA RUA e ele andava por entre a multidão sentindo o calor dos corpos, o
cheiro de suor e feromônios de pelo menos uma dúzia de mulheres lhe atraia como
o imã atrai o ferro. O chapéu cobria-lhe os olhos lançando uma sombra que
deixava dois pontos brilhantes aparecerem todas as vezes que avistava uma de
suas escolhidas, que desaparecia por entre uma confusão de sons, corpos e
cheiros reaparecendo logo depois. Vestia uma roupa branca, de pano fino
que lhe caia confortavelmente pelo corpo, que apesar da sujeira que a multidão
trazia com sigo, estava totalmente imaculada. Mostrava uma total indiferença
por todos aqueles que lhe rodeavam alem de uma aparente insensibilidade pelos
festejos, ficando marcante que ali não era seu lugar, mas nada daquilo tinha
sido notado, ninguém o via nem sentia quando ele estava ao seu lado.
***
Possui vários
nomes, muitos dos quais não o definiam totalmente e tantos outros que o confundiam
com alguns de seus irmãos. Mas, atualmente gostava de chamar a si próprio com o
nome de Michael, porque lhe trazia belas recordações, era o que sempre dizia a
algum igual que encontrasse pelo caminho.
Uma longa existência
era apenas um privilégio para um homem como ele. Se é que poderia se definir
assim, Michael era um deus que se criou do nada absoluto e um dia voltaria para
o nada, mas se dependesse de Michael esse dia ainda estaria a milênios de
distancia.
Como uma
criatura sobrenatural, de acordo com as leis naturais criadas pelo homem, esse
deus que teve um começo e inevitavelmente terá um fim, convive entre aqueles
que o afastam simplesmente por acreditarem que não existe. Michael tira suas
forças através do sacrifício de suas amadas, aquelas que por algum motivo se
destacam por entre as multidões.
***