Mostrando postagens com marcador FICÇÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FICÇÃO. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

No Carnaval


O BLOCO ESTAVA NA RUA e ele andava por entre a multidão sentindo o calor dos corpos, o cheiro de suor e feromônios de pelo menos uma dúzia de mulheres lhe atraia como o imã atrai o ferro. O chapéu cobria-lhe os olhos lançando uma sombra que deixava dois pontos brilhantes aparecerem todas as vezes que avistava uma de suas escolhidas, que desaparecia por entre uma confusão de sons, corpos e cheiros reaparecendo logo depois. Vestia uma roupa branca, de pano fino que lhe caia confortavelmente pelo corpo, que apesar da sujeira que a multidão trazia com sigo, estava totalmente imaculada. Mostrava uma total indiferença por todos aqueles que lhe rodeavam alem de uma aparente insensibilidade pelos festejos, ficando marcante que ali não era seu lugar, mas nada daquilo tinha sido notado, ninguém o via nem sentia quando ele estava ao seu lado.  

- Cabelos de cobre.

Dizia ele para si mesmo, olhando em todas as direções norte, sul, leste, oeste. Seguiu a multidão que levantava por cima das cabeças uma caixa retangular de madeira revestida com lona preta e de aparência frágil. Uma cruz do mesmo material que compunha a caixa estava pregada em um de seus lados menores, um caixão improvisado. A cada vez que o fúnebre esquife era levantado, um corpo diferente estava dentro dele, sempre uma linda mulher. Aquilo satisfazia ao homem de roupa branca de tal forma que sentia ânsias de gargalhar no meio de todos os foliões, sabendo que não seria notado ou pelo menos que não dariam importância a mais um bêbado no meio de todos, simplesmente nem o escutando.

Tinha visto os cabelos flutuando por entre as pessoas que se aglomeravam na praça, procurou e ainda estava a procurar, sabia que não a perderia. A presença de algo novo, coisa muito rara para ele, o estava estimulando a prosseguir mesmo no meio de varias possibilidades tentadoras ao alcance de suas mãos. Aquele dia estaria perdido se não encontrasse o que tinha se proposto a conseguir. E justamente a encontrou em uma das vezes em que o esquife foi levantado. Lá estava ela e seus cabelos de cobre, aquilo o hesitou a ponte de querer avançar no mesmo momento e pegá-la nos braços. Tinha força para isso, sabia que podia, ninguém naquele lugar poderia impedi-lo, mas em vez disso resolveu esperar. A vil sorrir, gritar, levantar os braços para o céu e espernear, a vil descer do esquife e quase a perdeu novamente na multidão.

Não a conhecia, mas quando ela colocou os pés no chão e ele pode se aproximar. Toda a vida daquela mulher tão especial para ele, principalmente por sua aparência que a destacava de todos os outros, se tornou visível em sua mente. Compartilhou da alegria que Lara vivia naquele momento, Lara era o nome dela, agora ele sabia e não a perderia mais.

- Oi... 

Disse como se apenas aquela palavra revela-se todas as suas intenções. Lura se virou rapidamente, encontrando um robusto peitoral. Olhou para cima sentindo o desconforto habitual que tinha quando conversava com um homem mais alto o que na maioria das vezes acontecia, pois era uma menina pequena. Desconforto logo substituído por um sorriso deslumbrado, pois o que vil era o que tinha sonhado durante sua curta vida de dezesseis anos de idade. Deste que soube diferenciar o que era o homem ideal e o homem real, pois aquele rapaz não era real, não podia ser, mas estava ali. Não dizendo mais nada, ele pegou a mão esquerda de Lara e a cobrindo com suas mãos, levou calmamente a menina para de baixo das árvores da praça e fez com que ela se sentasse em um dos vários bancos de pedra. Lara não se controlava sobre seus pés, a partir do momento em que ele tocou suas mãos, estava perdida para sempre. Lara não pensava, só sabia sorrir para as mãos que a seguravam, acalmavam e a impediam de formar qualquer idéia coerente. Ninguém os via, pois a sombra das árvores pareceu aumentar a partir do momento que os dois foram engolidos por elas e se alguém os chegasse a notar, se sentiria incomodado e desviaria prontamente o olhar para não importunar o aparente casal de namorados. Foi justamente o que aconteceu, um garoto com seus vinte anos, vil os dois e tentou focar sua atenção no casal, mas desviou olhar e não quis saber mais daquilo, pois se interessava por Lara e se magoou por vê-la com outro homem.  

 - Você é o homem que eu sempre esperei – disse ela, não sabendo perfeitamente o que dizia, ainda não acreditava no que via.

 Deixou-se beijar, quando ele se inclinou em direção ao seu rosto. Porem o beijo na boca tão esperado deste o curto momento em que ela o vira, mudou de direção e posou em sua rosada bochecha esquerda.   

 - Durma, durma para nunca mais voltar.


 Ele cochichou depois do esperado espanto de Lara que fechando os olhos deixou-se escorregar do banco em direção ao chão de terra da praça. Porem o homem de branco foi mais rápido e a sustentou só assim a beijando longamente sob os lábios. Lara foi perdendo a cor, como se a pouca luz que caia sobre os dois a estivesse deixando aos poucos, seu corpo foi envolvido por uma leve nevoa branca que a cobriu totalmente e a absolveu deixando apenas o homem misterioso ajoelhado em frente ao banco.

***


Possui vários nomes, muitos dos quais não o definiam totalmente e tantos outros que o confundiam com alguns de seus irmãos. Mas, atualmente gostava de chamar a si próprio com o nome de Michael, porque lhe trazia belas recordações, era o que sempre dizia a algum igual que encontrasse pelo caminho.

Uma longa existência era apenas um privilégio para um homem como ele. Se é que poderia se definir assim, Michael era um deus que se criou do nada absoluto e um dia voltaria para o nada, mas se dependesse de Michael esse dia ainda estaria a milênios de distancia.


Como uma criatura sobrenatural, de acordo com as leis naturais criadas pelo homem, esse deus que teve um começo e inevitavelmente terá um fim, convive entre aqueles que o afastam simplesmente por acreditarem que não existe. Michael tira suas forças através do sacrifício de suas amadas, aquelas que por algum motivo se destacam por entre as multidões.   

*** 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O amor preso em pequenas quantidades!


PENSO QUE SE ALGO  próximo daquilo chamado magia existisse no mundo, aqui entre nós, as regras do jogo seriam totalmente diferentes. Porque quando fazemos a realidade explicando tudo a nossa volta com a sabedoria da ciência, aquilo que tem de fantástico e sobrenatural se dissolve no ar. Passando para o lado da crendice popular ou apenas ficando nas páginas de livros ou a nas telas do cinema e da TV. Dependendo do ponto de vista a ignorância do funcionamento do universo pode alimentar a imaginação, nela a escuridão é povoada de monstros e o desconhecido é sempre mais bonito.

Imagine as possibilidades de um animal fantástico como um dragão, sobrevoando as cidades de concreto. Pense em algo mais simples como, por exemplo: uma poção do amor, a verdadeira de efeito imediato, que cause algo como uma admiração profunda e desejo de possuir a pessoa que for vista pela primeira vez. Um amor falsificado, ou melhor, uma paixão desenfreada que possa ti consumir por dentro até o momento em que consiga aquilo que desejar. E esfrie aos poucos sendo renovada com mais uma doze de magia liquida ou até mesmo com um efeito permanente. Afinal Tristão e Isolda se amaram por toda uma longa vida.

Nesse pequeno conto três garotos se apaixonarão por uma menina, a mais bela da escola, e por isso, a mais desejada, consequentemente a mais fútil e mimada.

Os três procuraram estar ao lado dela de todas as formas possíveis, bolando meios de conquistá-la. Ela não percebia ou simplesmente não se importava ou talvez até tivesse um pouco de divertimento, pois era garantido que gostava de ver e ser vista.

Cada um dos três por meios tenebrosos conseguiram a poção. Um pequeno frasco azulado que apenas continha sete gotas.

“O amor preso em pequenas quantidades!”

Dizia uma inscrição em letras minúsculas em cada um dos frascos. As instruções eram bem corretas:

“Nunca ministre mais que uma gota apenas, para se obter o temporário amor desejado.” 

Em uma bela tarde ensolarada, ela tomou vinte e uma gotas, sete em cada hora. E o feitiço fez seu efeito dilatando o coração da linda menina, acumulando o amor por três garotos inconsequentes. Ao final do dia, enlouquecida, se despediu com vários beijos calorosos, uma mistura de amor e contentamento, em quando o peito doía.

Ah noite quando se deitou em sua cama com a cabeça tão pesada pelos pensamentos, que não se evaporavam tão rapidamente, acumulados ao longo daquelas 24 horas. Custou a dormir, mas quando conseguiu, não acordou nunca mais.

Parece-me que os sonhos que ela teve eram muito bons.


Teve uma bela intoxicação de amor!


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Seus Pés não Encontraram o Chão


O PASSEIO ESTAVA MARCADO para o dia seguinte ao seu aniversario. Seria meio que um presente, que com certeza era o mais desejado de sua vida. Até o momento! Mal conseguira dormir, a ansiedade batia forte para o que seria apenas mais um dia de sua vida em que saia com seus amigos.

Acordou como se tivesse um despertador dentro de si, levantou, escovou os dentes, se vestiu, penteou os cabelos. O sol já estava alto lá fora.  Partiu com sua bicicleta para o encontro que se repetiu um milhão de vezes e com certeza não seria o último. Naquele dia iria pedalar quilômetros de distancia em direção ao desfiladeiro.

Sua voz refletia nas paredes rochosas, dez, cem vezes dizia seu nome. Gritou até perder o fôlego, ele e seus amigos todos ao mesmo tempo.

Em sua atitude de criança não mediu as consequências ao colocar seus pés na beira do precipício, nem ao olha tão perigosamente para baixo. Não pensava que poderia cair, incrivelmente, sua mente era muito seletiva e a certeza de uma morte dolorosa ou simplesmente a mais calma das mortes, ainda não avia se revelado para ele. Claro que sabia o significado daquela sombria palavra, mas não lhe fazia sentido, estava a anos luz de distancia dela. Das coisas mais inofensivas poderia criar monstros de sete cabeças, porem, diante do verdadeiro perigo não dava a menor importância.

Pulou por rachadoras na terra, que se caísse nelas poderia quebrar o pescoço. Foi em lugares que os amigos não conseguiam ir ou não queriam. Eles viam as conseqüências de seus atos. E depois de muito gritar e pular, todos foram embora em direção a suas casas, as suas vidas, mas ele ficou. Vil a noite cair aos poucos,  as cores perderem o brilho. Sentou-se no chão começando a falar, os ecos respondiam. De repente a  voz que retornava não era mais sua. O chamava para junto dela, queria tê-lo a qualquer custo. Venha, venha, venha para mim, dizia ela.

Não se assustou, pôs-se de pé, de frente para o precipício. A voz continuava a chamá-lo cada vez mais baixa. Não queria perde-la, delirando, andou um, dois passos para frente. Seus olhos instintivamente se fecharam andou, dois, três passos para frente. E como um sonâmbulo deu seu definitivo passo, até que seus pés não encontraram o chão.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

UM HOMEM MORTO...


ESTAVA SENTADO NO CANTO mais escuro de sua casa, com um gosto amargo na boca e um grande vazio no peito. Iria escrever mais uma daquelas enormes cartas, era um dos que ainda usavam a escrita cursiva, privilégio de poucos. Foi uma boa forma de encher o vazio e também caixas e mais caixas de papel.

Curvado no sofá, com uma das mãos apoiada na testa, pronunciou um nome. Sua voz não era nada mais que um sussurro, Elisa... disse ele novamente.

As luzes se acenderam mostrando a imagem de uma mulher, não tinha mais de 30 anos de idade. Minúsculas partículas de poeira magnética giravam em sua volta, aquilo mostrava que ela não era verdadeiramente um ser humano. Cada partícula encontrou seu lugar.

- Olá minha querida.

- Pablo, como foi seu dia?

- Ótimo, sente-se.

Elisa assentiu com um leve movimento de cabeça e sentou-se com toda sua falta de peso. As coisas mudaram tão rapidamente. Aquele fantasma na frente de Pablo era tudo que restara de Elisa, ele e as cartas.

Podia tocá-la, beijá-la, amá-la mas não era sua querida esposa. Mesmo assim agradeceu a Elias, por ter descoberto essa benção, Por ter deixado preservado um pequeno pedaço da consciência de sua esposa. Apesar de tudo Pablo nem mesmo conheceu Elias.

Elisa lhe deu um beijo carinhoso, mas foi como se um fantasma o tocasse com seu hálito frio. Mesmo assim, correspondeu o beijo.


Pablo era um homem morto...

sábado, 18 de outubro de 2014

PÔR DO SOL


NÃO SEI COMO ELE conseguiu chegar aquele ponto. Dominou praticamente o mundo inteiro, felizmente obtendo resistência de seus iguais, os grandes reis, mas mesmo assim foi adiante até sobrarem três de seus adversários. O maldito até conseguiu matar dois de meus bastardos, mas não descerei  de meu trono para derrotar esse bonequinho de barro que eu mesmo moldei. Tenho quem faça isso por mim. Seu castigo já está preparado!

Agora que tirei Mírr do caminho de Venial, tudo correrá tranquilamente. Consigo ver que minha vontade será feita.


ELE ESTAVA COM HEMATOMAS pelo corpo inteiro. Como é possível de um dia para o outro Venial ter se machucado tanto assim, há poucas horas eu o tinha visto com aparência muito melhor, Agora parecia um morto.

Um de seus olhos foi coberto por um enorme inchaço, mas mesmo assim, em quando eu conversava com ele, sua energia que a primeira vista parecia ter se esgotado  completamente. Estava voltando aos poucos com  a perspectiva de matar nosso inimigo. Tentei lhe perguntar o que tinha acontecido, mas seus pensamentos só se focavam no rei que devia que morrer. Essa era sua meta.  


NAQUELE DIA QUANDO O sol se pôs a guerra terminou. Suas mãos foram armas e com elas, derrotou o aço de uma espada que já não tem mais dono, quebrou a armadura de um rei pretensioso. E são muitos os que podem contar como foi que aconteceu. 



O ESPÍRITO DE um grande rei esta em minhas mãos. Esse teve toda a gloria em vida, colocou sua vontade sobre todas as outras e tentou alcançar a fortaleza dos deuses. Ainda tenho que consultar mel pai, para saber quais são suas intenções em relação ao novo morto. Rei Sol aproveite sua estadia eterna em meu reino das sombras, aqui velas não são acesas. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Venial / De guando Venial se coloca a serviço de um dos reis da trindade


CONTINUAÇÃO DE – MEU HERÓI

ESTAVA NO CASTELO de um dos três reis restantes. Tinha vendido meus serviços a ele, pois pretendia defender um dos lados na grande guerra que ameaçava vir bater em nossas portas. Porem Maemote I me colocou como babá de seus dois filhos, o maldito rei tinha a certeza de que o inimigo tentaria contra a vida de seus herdeiros. Tive que estar na companhia de Maemote II além de vigiar sua irmã, Vani.

O garoto me tratava como uma sombra, não me dirigia uma palavra se quer. Pois nem precisava, sabia que eu estaria ali. Já a menina me procurava a todos os estantes, sempre quando tinha uma oportunidade, conversava comigo deixando claro suas intenções de me levar a seu quarto.

Todas as vezes que pude aceitar um daqueles convites, são incontáveis. Poderia tê-la quando quisesse, as leis daquele reino me permitiam isso e acredito que Maemote I incentivava sua filha, mas não quis usufruir de meus direitos. Já naquele tempo eu sabia de quem era verdadeiramente filho e essa noticia correu em todas as direções. O filho que acaso surgi-se de um momento de fraqueza minha com Vani, seria privilegiado simplesmente pelo fato ser meu filho, alem de ter uma grande possibilidade de herdar algum dom divino, Maemote I sabia disso. Meu pai já tinha tratado de espalhar o sangue dos deuses sobre a terra. Eu não continuaria com seus erros.

Curiosamente o príncipe estava mais preso aos costumes do que sua irmã. Só teria uma mulher em toda sua vida, a rainha destinada a compartilhar o trono, que poderia passar as mãos do príncipe a qualquer momento guando a guerra estourasse. 

***

O monstro Pesadelo atacou e tivemos muitas baixas. Os cemitérios estão lotados com as centenas de ossos polidos que a criatura deixou para trás e ao que tudo indicava, ela tinha um objetivo, procurava alguém. Vani diz que era eu o que Pesadelo procurava e seu pai que aquilo de alguma forma foi obra do Rei Sol para enfraquecer a trindade, ultima resistência a sua dominação. Mas esse simples mortal não teria poder para invocar tal criatura, disso tenho certeza.

***

Agora concordo com Vani, um herói atrai acontecimentos estranhos. Cada dia de minha vida literalmente é uma aventura, sou testado por todos, eu escolhi isso para mim.

Então já que minha presença é prejudicial para os filhos de Maemote I e que todas as tropas da trindade estavam se movimenta para a guerra, as acompanhei. Só meu pai sabe agora o que vai acontecer e que o destino esteja em suas mãos.
   

  

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

MEU HERÓI



EU O QUERO DO fundo do meu coração. Farei-me sua mulher a qualquer custo. Você me terá em seus braços Venial, ou não me chamo Vaní.

No dia em que ele me salvou de pesadelo, descobri que nossas almas estavam entrelaçadas. Simplesmente, fomos feitos um para o outro.

Tem que ser assim, afinal, eu sou a filha de um dos grandes reis da aliança. Meu pai fez de Venial o  guarda costas de todos os seus filhos. Em quanto minha vida correr perigo, ele estará do meu lado.

Aquela criatura monstruosa ou pelo menos uma parte dela, tentou me devorar. O monstro se dividiu em várias partes e invadiu o castelo, feito uma névoa negra que passou por entre as rochas dos muros.

Não estava atrás de mim, mas de meu amado herói. Cada ser vivo que a criatura das trevas encontrava em seu caminho, era devorado até os ossos. E eu entrei no caminho de pesadelo.

Venial se pôs entre mim e o mostro, foi coberto pelo manto negro de pesadelo que tentou devorar sua carne.


Mas, me parece que o sangue de meu herói é indigesto. Pois em cada vez que se encostava ao líquido vermelho vivo uma parte de pesadelo se desfazia em fumaça, para não voltar nunca mais.




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O DEVORADOR DE DEUSES

NÃO FALAVA NEM TINHA consciência de nenhuma forma. Seu cérebro era minúsculo apesar do tamanho descomunal do crânio, para ele a vida era comer e dormir. Às vezes o sono durava eternidades e quando acordava, desespero e morte seguiam seu caminho.

Estava escondido no meio de uma enorme floresta, sobre as sombras de gigantescas árvores seculares. Seu sono já durara por décadas, ele foi esquecido pelo mundo e uma grossa camada de musgo e folhas apodrecidas grudava sobre o espesso couro de suas costas. Aqui e ali se podia ver o branco do osso que perfurava a pele. Mas ao que tudo indicava, iria dormir por mais tempo e se os deuses quisessem, por todo o sempre.

Foi fruto dos sonhos atormentados de Mírr. Em que o deus acreditava poder existir algo maior, mais poderoso que qualquer divindade, criaturas capazes de devorar os imortais.

Já que era sua criação inconsciente, Mírr não conseguia controlá-lo muito bem, mas o monstro servil de varias formas a seus propósitos. Feito um selvagem animal de estimação, a criatura dos sonhos, já devorou vários de seus desafetos.

Levando o som de sua voz pelo vento, pois não se atrevia chegar muito perto de pesadelo. Mírr, conseguia alcançar na forma de sussurro os ouvidos calejados do monstro e o atiçava. Mostrando que à hora da comida avia chegado.

O irmão invejoso de Venial  estava planejando um encontro do herói com pesadelo, o pior de seus sonhos. 


Acordou se espreguiçando e mostrando enormes mandíbulas. Não se assemelhava a nenhum animal conhecido pelo homem comum. Derrubou todas as árvores que o prendiam naquele lugar, abrindo seu caminho mais uma vez, arrastou sua enorme barriga vazia, para dentro do mundo dos homens. Pesadelo acordou e tinha um objetivo bem definido, estava com fome e precisava se alimentar.




AVENCA



AVENCA QUIS ESCREVER AQUI no blog, mas só que ela não sabe o que falar.

Acredite em mim, quando digo que ela e um tipo de mulher diferente. Não pense que é desprovida de beleza. Pois todos que conhecem Avenca, concordam comigo, essa garota  já destruiu muitos corações. Parece-me que estou indo pelo mesmo caminho.

Não é seu rosto, corpo nem o modo de vestir, mas são suas palavras, diferentes, que chamam atenção. Avenca fala o que pensa e tem a habilidade de fazer com que as pessoas não levem muito a serio.

E, além disso, ela sabe escutar. Já percebi isso, Avenca, e parece que fui o ultimo a notar.

Ainda vou conseguir fazer com que  a menina coloque no papel algumas de suas frases marcantes. Afinal, sempre vale apena tentar. Não é mesmo? 


Essa é minha vida esse sou eu. Um abraço Avenca do meu coração, amiga e amada. Espero que não queiram saber quem é você menina das pétala.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Possuídos


ATÉ QUANTO VOU CONTINUAR respirando? Quase morri, mas não foi por hoje. Graças ao deus de todos os deuses, por  ter colocado Venial em meu caminho. Olha só, um herói com nome de um deus! E por isso tive a oportunidade de ver com meus próprios olhos a queda do grande rei.

Estava cansado, já bastante ferido. Com cortes pelo corpo que não saíram barato para quem os fez. Eu e Venial lutávamos lado a lado, somos grandes amigos, fizemos escorrer muito sangue sobre a terra.

O que mais me fascinava nele era o fato de ser verdadeiro. Nesses tempos, qualquer um pode se chamar de herói. E provou ser, mostrando sua bravura e força, que um homem comum não pode ter, eu com certeza não tenho.

Mas não o invejo. Pelas histórias que conta, fez por merecer seus poderes

Nesse dia, no começo da tarde, já estávamos em campo de batalha há muito tempo. Não se sabia qual exercito ganhava. A aliança tinha que vencer aquele que se alto proclamou deus. De qualquer jeito era vitória ou morte!

Não sei como aconteceu, nem se alguma força fora de minha compreensão tenha agido sobre a mente de todos naquele dia e principalmente dos três soldados. Mas no momento em que os homens em luta se afastaram de Venial, formando um espaço livre entre ele e qualquer um que temesse perder a própria vida. Talvez por magia, mas o silencio se fez sobre os dois exércitos naqueles poucos minutos em que o conflito parou.

Três soldados mais próximos do meu amigo, desmaiaram um seguido do outro em confusões epilépticas. Nesse pouco tempo entre a queda do primeiro e a do terceiro, estavam novamente de pé avançando na direção de Venial. Seus rostos completamente mudados e os olhos parecendo não ver.

Tentei me mexer para ajudá-lo, mas alguém dentro de mim não queria que eu fizesse isso.

Venial se protegia dos golpes furiosos que vinham de diferentes direções ao mesmo tempo. Sendo recebido logo depois por mais tentativas de alcançá-lo com laminas de três espadas. Caretas medonhas que contorciam todos os músculos do rosto, foram feitas pelos furiosos soldados do Deus Sol.

O maior de todos, por muito custo foi o primeiro a cair seguido alguns minutos de pois por mais outro.

Que luta meu Deus. Não foi fácil, mesmo ele sendo um herói. Teve momentos que acreditei que Venial não sairia vivo dessa História. Lutou mais bravamente com o ultimo dos homens possuídos e o venceu da mesma forma.

E quando atingiu a cabeça do homem com sua enorme mão, esmigalhando todo o crânio. Os soldados a volta criaram vida, com a morte do possuído a guerra começo mais uma vez.

Venial olhou para mim e abril seu longo sorriso de dentes brancos, dizendo que ainda não estava morto...  mas ate quando Venial?



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

REI SOL

NASCI EM TRONO DE ouro, meus professores foram os melhores, conheci tudo que foi preciso saber, cuidei do corpo e da alma e sou maior guerreiro do que qualquer soldado em meus exércitos. Fiz-me rei antes de meu vigésimo aniversario e nas guerras, me coloco nas primeiras fileiras incentivando todos a prosseguir. Ultimamente as batalhas são eternas!

Fiz o que tinha de fazer, não tive outra escolha. Sou um deus, mesmo nascendo homem reivindico para mim a divindade de governar os homens. Então bani todos os cultos a outros deuses nas terras que controlo.  

Reuni exércitos e marchei sobre dezenas de reinos infiéis, eles devem se curvar perante seu novo deus, o Deus Sol. Mas parece que meia dúzia de reinos ainda resiste. Porem por pouco tempo.

No campo de batalha é que se mostra o verdadeiro espírito da humanidade, e vou estar lá para vencer. Instituirei uma dinastia de deuses sobre a terra, dando a meus filhos todos os impérios existentes.

Agora tudo em que lutei vai se tornar realidade, essa é a ultima batalha em que vou subjugá-lo sobre meus pés...


domingo, 5 de outubro de 2014

Como Começou - Elixir da Imortalidade


"Reuni todas as informações sobre a pedra filosofal e a panaceia universal"



NÃO VOU DATAR MEUS escritos, pois de que me serve marcar o tempo. Mais importante é minha história. Chamo-me Fabrício, deste criança me fascinei pela ciência, só que em minha época ela estava começando, mistura de magia e realidade. Desacreditada por muitos e os primeiros livros que li sobre alquimia foram meros passatempos, brincadeiras de criança.

Mas quando passei a entender melhor sobre o que estava escrito naquelas páginas e muitas vezes desenhado em códigos indecifráveis, a primeira vista. Pus-me  a procurar testar as afirmações sobre experiências feitas pelor alquimistas, descobri que um dia a morte me alcançaria com seus cadavéricos dedos e aqueles livros me prometiam um dos maiores sonhos que a humanidade já teve. Eles afirmavam ser possível ludibriar a morte e até onde eu tinha noticias, um deles conseguiu e seu nome era Nicolau Flamel.   

***

Hoje duvido que Flamel tenha feito isso, apesar de todos os meus esforços para encontrá-lo não tive nenhuma prova de que vive. A não ser é claro, seu tumulo estar vazio, mas consigo imaginar um bom motivo para isso, estamos tendo uma grande ocorrência de ladrões de corpos. Estudiosos têm que recorrer a meios ilegais para progredir em seus conhecimentos do corpo humano, uma forma de aprender a curar as doenças, prolongar a vida.

***

Reuni todas as informações sobre a pedra filosofal e a panaceia universal, esses dois objetos, se é que posso chamá-los assim, vão ser meu foco de pesquisa.

***

Afirmo que descobri um meio de criar a pedra e depois que conseguir, eu irei destruir toda minha pesquisa. Sim a ciência está envolvida nisso, mas a magia tem sua parte no que vou fazer. Exige certos ingredientes mágicos e alguns elementos descobertos há pouco tempo. A pedra ao mesmo tempo é a panaceia: ira curar minhas doenças, ficando em meu corpo por toda eternidade, será parte de mim, estará em minha carne.

***


Não quero ouro, mas sim vida eterna, e para isso terei de beber a poção. Nesse exato momento ela está ao meu lado fumegando no caldeirão de estanho. Consegui dissolver parte da pedra e terei de despejar garganta a baixo o conteúdo incandescente. Será terrível eu sei, mas os benefícios vão ser incontáveis.  

***
  
Que agonia interminável minhas entranhas estão em carne viva, mal consigo suportar a dor, mas é preciso, a panaceia irá me curar. Agora só basta dormir..


 .

sábado, 4 de outubro de 2014

Vontade do pai



Sob o olhar de um pai


NÃO SEI COMO CONTROLAR meus filhos, eles são rebeldes e irresponsáveis. São muitos, bem mais que os dedos em minhas mãos. Admito que tenha certas preferências por alguns, mas na posição de pai, não quero o mal de nenhum deles. Por isso tenho de entrar em suas disputas e castigá-los, porque estão errados.

O que me espanta é de os mais problemáticos serem os que ficam do meu lado, perto do alcance de meus olhos. Por isso que dou preferência aos bastardos, eles procuram me agradar de mil formas diferentes, pena que não posso dirigir-lhes muita atenção. Se não, um de meus legítimos é capaz de causar uma revolução.

Utilmente, me preocupei com dois de meus legítimos, mesmo assim foi um caso muito interessante de tratar:
  
Venial me procurou dizendo que queria se tornar um herói, portanto desejava minha permissão para encarnar na Terra. Talvez, sabendo de minhas preferências por seus meio irmãos tenha decidido chamar minha atenção ou simplesmente era mais um de seus desejos irresponsáveis. Um pedido desses merecia Meu julgamento, por isso demorei um tempo para pensar na forma de realizá-lo.

Já estava querendo começar mais um de meus casos extraconjugais e uni o útil ao agradável, deitando-me com Mari uma simples mortal, filha de um pastor. Desta forma levei a consciência de Venial ao mundo da matéria. Dando-lhe todos os poderes que um de meus bastados poderia ter, mas é claro que seu espírito privilegiado o favoreceu muito mais.    

No entanto Mírr soube do que fiz e de alguma forma descobriu que se Venial morresse antes dos trinta e três anos sua consciência deixaria de existir. Mas mesmo assim permiti que as crianças prosseguissem em seus planos. Seria uma boa maneira de ensiná-las alguma coisa.

Concordo que me diverti vendo aquelas aberrações que Mírr criava, sendo destruídas por Venial. Gostei da ignorância de Mírr, mal sabia ele que estava desenvolvendo os poderes do irmão e que nada o tiraria de seu objetivo. E mesmo se acontecesse algo desse tipo, eu interferiria prontamente.


Mas aconteceu de Mírr passar dos limites. Eu queria aquele rei morto e se o garoto inutilizasse o irmão, aquele maldito rei ainda estaria vivo. Nenhum monarca pode se colocar na posição de um deus! Por isso puis Venial no caminho do Rei Sol. Bastou estalar meus dedos para trazer o filho a minha presença. Eu o caustiquei do pior jeito possível, tirei sua voz, ficaria mudo por toda a eternidade se essa fosse minha vontade. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Alma


- TENTO VER, MAS MEUS olhos estão embaçados, sou cego! A última coisa que olhei foi à beleza de uma sereia, seu nome era Lamuriel. Riu de mim quando perdi a visão aos poucos, por causa de sua magia. Nenhum mortal poderia vê-la sem pagar um preço.

- Meu amor olhe para mim.

- Não posso.

- Olhe! – disse ela elevando a voz. Espantado, foi o que ele fez.

- Sou capaz de fazê-lo voltar a ver. Contra Laumuriel nada posso, mas sua visão eu lhe dou.

- Como? Me diga. Para que eu volte a ver, venderia até minha alma!

- Não quero sua alma. Pode ficar com ela, de nada me serve, mas mesmo assim quero você. Se torne meu por toda sua vida, só basta isso.

E com um simples beijo selaram um acordo vitalícia, enquanto ele vivesse estaria preso aos feitiços de sua amada Súcubo. O cavaleiro voltou a ver, dir-se-ia muito melhor do que antes.   



sábado, 27 de setembro de 2014

O Irmão de Venial

MEU IRMÃO, MAIS UM de vários outros que disputam comigo o poder. Decidiu passar alguns anos em forma humana e se mostrar diante  daquelas criaturas formadas do barro.  Mas, mal sabia ele, poderia deixar de existir se fosse morto prematuramente.  Acredito que nem nosso pai o deus de todos os deuses, que a tudo sabe, tenha dado atenção a esse ponto em especial. Claro o irmãozinho mais novo é adorado e consegui tudo que pede.

Mas no começo decidi não interferir. E quando todos se perguntavam a onde estava Venial eu e meu pai sabíamos. Vi as pequenas vitórias que o menino conquistou, mas cada corte que levava no corpo, torcia para que morresse.

No entanto nada aconteceu, ele apenas vencia, e as feridas cicatrizavam. Com raiva crescendo dentro de mim, decidi interferir. Depois que seus pais de barro foram mortos ele tomou iniciativa de andar por todo o mundo. Mandei monstros em seu caminho, mas um por um caiam a seus pés.

E os anos passavam, ele estava com trinta verões, mais forte que qualquer herói já existente. Decidi matá-lo eu mesmo, pois faltavam apenas três anos para acabar com aquela historinha e minhas criaturas não conseguiam nem mais, fazê-lo sangrar.   

E no meio daquela guerra em que vários exército tentavam derrotar o pior de todos os reis mortais. Controlei alguns soldados, mas não adiantou. Via agora que apenas eu conseguiria, tomei forma e enfrentei Venial, quase o matei, ele estava em minhas mãos, mas nosso pai interferiu e me castigou.

Pouco tempo depois Venial voltava vencedor, com todas aquelas cicatrizes de que se gaba agora. Porem elas estão sumindo aos poucos e fico feliz com isso.       

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Nerd


CUMPRIMENTARAM-SE COM AS PALMAS das mãos  estendidas e os dedos afastados formando um “V”, a antiga saudação de seu povo. Não quero que acredite que são amigos, pois não são, seguram espadas e, estão prontos para morrer.

Os melhores lutadores daquela região. Suados, cansados, sangrando rios de sangue, mas ainda em pé. 

Depois do cumprimento voltam à luta!

O primeiro a reagir foi Lamina Azul, com sua longa espada de duas mãos, parado por Lamina Branca de espada curta. Quando um conseguia dominar a situação, o outro se livrava rapidamente, nenhum dos dois falava, gritava ou respirava pesado. Todos em sua volta assistiam o final da luta, que paresia não chegar tão sedo, parados como estatuas, também não diziam nada.

Algum dos dois já deveria ter caído morto. Até que Lamina Branca corta a mão que segura Azul. 

Vencedor sentou e se pôs a escutar os urros e vaias da população que parecia ter acordado de um longo sonho, desapontada pela derrota de seu querido campeão. Nada poderia ser feito, nada... Ninguém queria se opor ao pequeno Nerd que conquistara sua gloria... Mas não conseguiam segurar suas linguás.


Foi feito o maior nerd de todos e ganhou a mão de sua princesa Marilla. O que o deixou feliz da vida, mesmo de baixo de vais...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

SEM CAIR


ESTAVA DENTRO DE CASA emburrado, casmurro falando com seus próprios fantasmas. Tudo por que não sabia andar em sua bicicleta, jurara para si mesmo que nunca mais tentaria, mas esse juramente não valia muito.

Seus primos na rua, conseguindo pedalar tão facilmente. Como isso era possível? E se era, ele também poderia conseguir. Não adianta tentar!

Em cada vez que lembrava suas quedas, mais queria tentar novamente. Ir para onde os primos estavam. Lutava contra sua própria vontade a luta mais difícil de todas.

Tentar, tentar, tentar até conseguir... Foi isso que disse para si mesmo, saindo correndo logo depois, pedindo a ajuda do pai.

Em questão de quinze minutos estava pedalando, espantado com sigo mesmo, podia andar sem cair.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

PALHAÇADA


DANÇAVA E FAZIA PALHAÇADAS no meio do picadeiro, era sua profissão, um palhaço dos bons. Levava alegria a todos os espectadores. Em cada dia fazia uma coisa diferente, nunca teve uma apresentação igual.

Até que um dia triste chegou, teve um enfarte na metade de seu show. Todos acreditaram que fosse mais uma invenção das suas. Aí foi tarde de mais...

“DEBAIXO DA MAQUIAGEM, TODO PALHAÇO E TRISTE”

ESTAVA ESCRITO NA LONA DO CIRCO.