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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sarau "Poemus"

Colégio Estadual Arnor Silvestre Vieira

 Parapeúna, distrito de Valença (RJ) 
fronteira com Rio Preto (MG)

Sarau "Poemus"

IV edição
Homenageando: Elis Regina e Mario de Andrade

- 28/08/2015 -



Poema: "Morte do Leiteiro" Carlos Drummond de Andrade













































Poema: "Eu Não Existo Sem Você" Vinicius de Moraes

























sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Despedida






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“PRESTO ATENÇÃO NAS MINHAS PALAVRAS E ELAS PARECEM SAIR MAIS RÁPIDO, COM A PREOCUPAÇÃO DE ACERTAR FRASE POR FRASE, NÃO APROVEITO TANTO O MOMENTO. E NO FINAL FICA A SENSAÇÃO DE QUE PODERIA TER DURADO MAIS.”

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"ANTES OS PREPARATIVOS...  SENTADO NA CADEIRA DAQUELA SALA E TODOS OS COLEGAS ENVOLTA, ALGUNS COM VIOLÕES, O PROFESSOR ORGANIZANDO  SEUS PAPEIS. CADA UM VAI EM FRENTE AO MICROFONE E NUM INSTANTE TODOS OS ROSTOS SE VOLTAM PARA  A PESSOA QUE VAI FALAR."

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sarau - "Poemus" - Rio Preto (MG) Parapeúna, Valença (RJ)

No dia 05 de dezembro de 2013, recitei estes dois textos no Sarau “Poemus”




Quando você acreditar em mim, vou me jogar aos seus pés. Vou rezar um desses crucifixos inteiros, bolinha por bolinha, machucando os dedos. Vou pedir perdão pelo que não fiz. Vou prometer o que não devo. Vou declarar imposto de renda. Cozinhar, lavar, passar, chupar e lhe engolir. Tirar o pó de cima desse espelho onde caímos de cabeça. Quando você acreditar em mim, vai ser uma loucura. Vou cortar os pulsos, sair correndo, pular do prédio. Na alegria e na tristeza. Na dor de cotovelo e na doença venérea. Você vai acreditar em mim como nunca acreditou em outra coisa inexistente. Então eu vou ser seu deus, vou abrir a porta do meu reino dos céus e pedir umas provas de amor de vez em quando, só pra encher o saco. 



O torturador
difere dos outros
por uma patologia singular
— ser imprevisível
vai da infantilidade total
à frieza absoluta.

Como vivem recebendo
elogios e medalhas
como vivem subindo de posto,
pouco se importam pelos outros.
Obter confissões é uma arte
o que vale são os altos propósitos
o fim se justifica,
mesmo pelos meios mais impróprios.

Além de tudo o torturador,
agente impessoal que cumpre ordens superiores
no cumprimento de suas funções inferiores,
não está impedido de ser um pai extremoso
de ter certos rasgos
e em alguns momentos ser até generoso.

Além disso acredita que é macho, nacionalista,
que a tortura e a violência
são recursos necessários
para a preservação de certos valores
e se no fundo ele é um mercenário
sabe disfarçar bem isso
quando ladra.

Não se suja de sangue
não macera nem marca,
(a não ser em casos excepcionais)
o corpo de suas vítimas,
trabalha em ambientes assépticos
com distanciamento crítico
— não é um açougueiro, é um técnico — 
sendo fácil racionalizar
que apenas põe a serviço da pátria
da civilização e da família
uma sofisticada tecnologia da dor
que teria de qualquer maneira
de ser utilizada contra alguém
para o bem de todos.



In: ALVERGA, Alex Polari de. Inventário de cicatrizes. Apres. Carlos Henrique de Escobar. 3.ed. São Paulo: Teatro Ruth Escobar; Rio de Janeiro: Comitê Brasileiro pela Anistia, s.d





segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"Poemus" - Sarau

08/08/2015

 “VIM VI VENCI”

“DECOREI, DEIXA VER.” e repito as palavras na cabeça. “Será que vai dar certo? não, vai sim decorei.” E repto novamente. O sarau já começou e alguns poemas já foram declamados.

05/12/2013

Antes os preparativos...  Sentado na cadeira daquela sala e todos os colegas envolta, alguns com violões, o professor organizando  seus papeis. Cada um vai em frente ao microfone e num instante todos os rostos se voltam para  a pessoa que vai falar. A atenção é toda dela, e começa declamando um dos vários poemas de Vinicius de Moraes:

“Soneto de Fidelidade”

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

(...)

Um teste, temos que adquirir confiança, perder o medo e a vergonha. As palavras saem sem querer sair os gestos são precavidos, as mãos não sabem como se comportar. E os minutos passam, alguns são tão descontraídos. Os dias se vão e o texto na cabeça, a força de repetição, parece tão fácil.  

22/08/2014

Meu nome é chamado, me levanto, vou à frente, poucos segundos se passam até perceber o que tenho que fazer, silencio, começo a falar:

“Trilogia Macabra: I - O Torturador”

O torturador
difere dos outros
por uma patologia singular
ser imprevisível
vai da infantilidade total
à frieza absoluta.

(...)

O dia, todo mundo no palco, expectativa nas alturas. Apresentação dos assuntos, musica, poemas. Declamando na frente com os colegas atrás, esperando sua vez. Procuro na plateia rostos conhecidos um parente, um professor, um amigo. Presto atenção nas minhas palavras e elas parecem sair mais rápido. Com a preocupação de acertar frase por frase, não aproveito tanto o momento. E no final fica a sensação de que poderia ter durado mais.

E já se foi o primeiro com: “Cálice” (Chico Buarque), O segundo com: “José” (Carlos Drummond de Andrade), e lá se vai o terceiro com: “O Torturador” (Alex Polari). Não só esses, mas vários outro: “Cabaret Mineiro” (Carlos Drummond de Andrade), “Pasárgada” (Manuel Bandeira). E tantos e tantos poemas.