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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Leitura


DIVULGA-SE SOBRE O PRAZER da leitura que estimula a imaginação e até mesmo a própria escrita. Sim, existe tudo isso, mas é diferente para cada pessoa. Pode ser um vicio ou apenas um costume moderado.

Existem várias formas de se conseguir um livro e em ultimo momento até possuí-lo, o caso do vício é justamente esse, não se quer apenas  ler, mas também tê-lo em sua estante e conseguir a edição que possui a capa que mais ti agrada.

Para os que querem se iniciar no prazer milenar da leitura e descobrir quais sensações conseguirão sentir, quais mundos poderão alcançar. Basta apenas escolher um livro nesse mar de oportunidades da biblioteca, aonde com certeza vive Moby Dick a baleia branca.

Lá, você vai ter que se deixar afogar pelas histórias. Veja as capas, leia os nomes dos autores. No começo não escolha um dos maiores, mas sim os pequenos livros que vão te levar ao vício mais rapidamente.

Aí, depois de iniciado, você vai precisar de tempo para não sofrer a ansiedade de querer saber o destino das personagens. Não, não chore por elas, nunca lamente se as perder e absolutamente em hipótese alguma, não acredite em um final feliz.


domingo, 26 de outubro de 2014

EXCLUSÃO


O QUE É, E COMO PODE ACONTECER ?

Antes, colocarei  a minha posição nesse tema. Vivo em uma bolha social, coisa que criei para mim mesmo com ajuda do que vem de fora. Então não me considero apto para falar sobre a exclusão causada por questão financeira, que os filhinhos de papai parecem fazer. Por que se isso acontece comigo, imagino que seja por outros motivos, e não são poucos. Mas o mundo é cheio de contradições, tanto que a vitima do preconceito é tão capaz de ser preconceituosa, quanto seu agressor.  

Por isso participo daquela idéia do orai e vigiai. Se livre de tudo que há de ruim, mas também preste atenção para não colaborar com o mal. 

Excluir seria o ato deliberado de colocar de fora, ou seja, por algum motivo ou  razão separar, dividir, apagar de vez alguma coisa ou alguém, de um grupo específico. Essa é minha definição do que acontece em qualquer ambiente, seja em sala de aula ou no trabalho, podendo ter vários motivos, inclusive por questão de desafeto.

Parece que o ser humano não se dá tão bem com a diferença. E essa questão esta presa no subconsciente de todos. O rico separa o pobre, pois ele não esta na mesma posição. O pobre separa o rico porquê o considera privilegiado.

A desigualdade social causa um tipo de prejuízo, incomoda muito os que de alguma forma estão em posição de destaque. Tanto que a forma de separar uma pessoa de um grupo é mostrar para os conhecidos que o alvo em questão não é igual a todos. Literalmente apontar o dedo e dizer: é pobre, feio, burro, preguiçoso.  Ou até o contrario: olha o rico, metido, ele se acha, é favorecido sem merecer.


Não digo que seja sempre assim, o ser humano é feito de contradições tão grandes. Um dia não concorda com alguém por não gostar de azul e no outro, defende a cor com unhas e dentes. 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Antes de tudo... O papel da mulher no século XXI ...Minha opinião


ESCREVER SOBRE O PAPEL da mulher na sociedade atual ou na que está por vir é muito problemático e, dependendo de quem você é, se dificulta muito mais. Mas já que uma opinião é exigida, tentarei me posicionar.

Existem dois lados de uma mesma moeda: o machismo representado pelos homens e o feminismo pelas mulheres, esse surgiu em resposta ao dos homens. (Porque parece que tudo tem de ser preto no branco!)

Um, diz que o homem tem que ficar por cima. O outro diz que não, a mulher é que tem que ficar. Cada um defendendo seu ponto de vista em uma eterna guerra dos sexos (Isso não é coisa só de novela!), e ninguém aceita um meio termo, porque se for assim acredita que vai perder. Perder em que?

Não nego que os problemas sociais estão por aí, mas me pergunto se as soluções que são dadas para resolvê-los vão fazer efeito. E ainda mais, será que essas soluções não vão prejudicar a grande parcela feminina da população, colocar limites de liberdade nelas mesmo? (Se você não quiser ser bolinada não entre aqui!) Ou será que ao invés de igualar as situações não iram inverte-las? (Precisa-se de uma lei para proteger a mulher dos homens! Nesse casso, não sabia que poderia proteger o homem da mulher. Mas mesmo assim depende da interpretação de um juiz). Lutasse por direitos iguais e não por quem vai dominar quem! Se não, tudo fica na mesma.

Não aceito essa ideia, essa imagem de colocar o homem sempre como o lobo mal e a mulher como a chapeuzinho vermelho. Isso não é 100% verdadeiro. Apenas uma versão da história é muito divulgada.  

O certo é ter direito de escolha, poder fazer o que quiser (Deste que não atinja o próximo). Seguir o caminho que melhor lhe parecer. Direito a ser igual a qualquer um. Homens, mulheres, negros, brancos e todas as outras parcelas da sociedade mesmo que muitas vezes pareça impossível, mas assim mesmo poder tentar.

Por que essas contradições? Ser machista é mal... Sim, é, limita o pensamento! E feminista o que é? Os dois querem a mesma coisa, fincar a bandeira no chão e se declararem os melhores, por mais que digam o contrario de baixo dos panos  justamente isso é o que acontece. Por que não, um meio termo?

Eu digo e repito direitos iguais!

Fecho com uma pergunta: de qual dos três lados você está; MACHISTAS, FEMINISTAS OU MEIO TERMO.

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"Chama-se Maioria Oprimida e é uma curta metragem que pretende mostrar como seria o mundo se em lugar de pelos machistas fosse dominado pelas feministas, ou seja, como seria o mundo se os homens fossem tratados como costumam tratar as mulheres."

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A Despedida






***

“PRESTO ATENÇÃO NAS MINHAS PALAVRAS E ELAS PARECEM SAIR MAIS RÁPIDO, COM A PREOCUPAÇÃO DE ACERTAR FRASE POR FRASE, NÃO APROVEITO TANTO O MOMENTO. E NO FINAL FICA A SENSAÇÃO DE QUE PODERIA TER DURADO MAIS.”

***




***

"ANTES OS PREPARATIVOS...  SENTADO NA CADEIRA DAQUELA SALA E TODOS OS COLEGAS ENVOLTA, ALGUNS COM VIOLÕES, O PROFESSOR ORGANIZANDO  SEUS PAPEIS. CADA UM VAI EM FRENTE AO MICROFONE E NUM INSTANTE TODOS OS ROSTOS SE VOLTAM PARA  A PESSOA QUE VAI FALAR."

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"CAMINHO DA ROÇA"


O DESEJO DE DANÇAR, de ter um par nessa festa junina que aparece em todos os anos de escola, é grande. Mas é tão bom, tão simples quando ela quer dançar com você e não é obrigada por qualquer motivo diferente. Confesso que é duro quando não se consegui a companhia para simplesmente entrar na brincadeira.

O fato de que as escolhas são feitas pelas aparências é muito mais marcante nesta época, principalmente nos primeiros anos de estudo.

Ainda permanece aquela força que me afasta dos grupos, parece que simplesmente não consigo me adaptar. Desta forma as atenções são retiradas de cima de mim, fico de lado e começo a me isolar aos poucos e de repente já não estou mais lá.

Sou bastante contraditório, eu diria, quero ser notado. Mesmo assim odeio que comentem sobre quem sou, odeio que me julguem. Sei que é bastante normal uma situação dessas. Mas mesmo assim não é desculpa para o que acontece.

“A ponte caiu... Olha a cobra... Olha a chuva... Cavalheiros protegem as damas.”


A repetição eterna da procura de um par na dança.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O DIFERENTE


AQUELA IDEIA E O sentimento de que se tem que entrar no grupo, fazer parte de um conjunto maior. Apenas uma célula no organismo e ser feliz... Completamente e espontaneamente comum, simples e sem nenhuma complexidade. A obrigação de se dividir em dois, três ou quantos puder dependendo do conjunto em que estiver. Esconder dos outros as verdadeiras opiniões o modo de pensar, com medo do que irão achar ou de ser deixado de lado.

As escolhas de personalidade. O bobo da corte, o debochado, quieto, oprimido, agressivo, o que se esconde dentro de si e o que tenta agradar a qualquer custo, O líder, torturador, amigo, o diferente, indiferente, O que atira primeiro e pergunta depois, etc. e tal. E nenhum destes sendo o seu verdadeiro modo de ser.

Um silêncio interminável, muitas vezes pode acompanhar o diferente, principalmente por causa de não conseguir se encaixar completamente no ambiente em que estiver. E nesses momentos o pensamento corre solto tentando descobrir a forma de se fazer presente, o eterno apelo de estou aqui.

O diferente incrivelmente não é aquele menos notado, muitas vezes é o mais falado, marcado, lembrado o mais tachado com apelidos e brincadeiras incômodas, sua presença é simplesmente provocante. Como se esperassem alguma reação anormal dele.  

Não está incomodado com sua condição, apenas deseja se encaixar em algum lugar. Um espaço vazio reservado apenas para ele, mas tem a consciência de que não vai ser assim. Espera o momento de que alguém o olhe demoradamente e descida se sentir provocado por qualquer coisa que tenha dito ou feito.

Suas palavras são escolhidas ou simplesmente saem espontaneamente. Pelo fato de ser anormal, não tem um filtro social. Melhor ainda, seu filtro não é bem regulado pois muitas vezes deixa passar coisas sem significado para os outros, mas que para ele fazem o maior sentido.

Seu olhar já mostra quem é, alguma coisa afastada, sonhadora, que promete mais do que pode dar ou menos do que pode ser.

Alguns se sentem felizes pela circunstancia de sua diferença, pelo menos aparentam isso. Eles conseguem esquecer os fatos ou simplesmente os colocam de lado. São privilegiados por essa condição ou talvez simplesmente bobos, idiotas, coitados, prontos para serem enganados. 

domingo, 27 de julho de 2014

INFORMAÇÃO, UMA NECESSIDADE


OS GOVERNANTES PROCURAM A qualquer custo gostos, preferências do povo. Querem que a pessoa mostre o que pensa, para obter a informação de melhor qualidade e dirigir o olhar ao que mais lhe interessa. E utilizam a mídia construída fortemente para colocar ideias por terra ou formar outras totalmente novas.

De certa forma, são presos ao que o público quer ver e se quiser a morte dão-lhes a morte, e é tão fácil, tão rápido que a notícia chega em questão de minutos. Filtrada é claro, mas ela está lá na tela do computador, televisão ou na página da revista do jornal. “Venha publico fiel a verdade está aqui!”

De tão forte que é, a mídia constrói imagens inquebráveis como: todo político não é honesto ou o estrangeiro sempre vai nos espionar, na procura de informação é claro! Pode ser até verdade em certo ponto, mas um lado da história é empurrado fortemente goela a baixo que aquilo passa a ser a única opinião. O que não é mostrado pela mídia, não existe.

“Tudo feito para seu bem consumidor leal, aqui está a noticia de sua preferência.” “Veja o que seus amigos pensam, quem são eles na internet.” Dados disponíveis a qualquer um, em qualquer hora.

O mundo está encolhendo de tal forma, que pesquisas dizem que uma pessoa é ligada com toda a população planetária através de outras seis.

E fica tão normal que os que não estão presentes neste mundo de troca de pensamentos, são questionados  do porque se excluem  o que tem a esconder?

O fato é não se pode competir com o progresso a noticia é necessária e tem seu preço. No momento em que ela chega ao cidadão, identifica quem ele é. Tanto que os governantes e as grandes corporações aprenderam isso, os números não mentem. A mídia vive de anúncios e a grande organizadora de informação que é a internet com as redes sociais que coletam o pensamento de todos, está acelerando o processo de globalização. 


A única forma de se proteger é criar  uma opinião sobre o que escuta ou o que vê. Não é apenas absorver o que é dito e colocar como verdade absoluta, tem que ser pensado. Vive-se em um mundo onde milhões de vozes gritam sua verdade e dão seu ponto de vista. Uma história pode ser contada de diferentes formas, e uma vírgula muda tudo.   


  

sábado, 5 de julho de 2014

NADA É PERFEITO E NEM PODE SER REFEITO!


PAPEL EM BRANCO, DIGA-ME o que tenho que escrever nesta tarde de sábado, da copa do mundo no ano de 2014. Meus pensamentos estão dirigidos aos colegas de escola, pensamentos que me perseguem. Tentando justificar coisas inúteis ou planejando vitórias medíocres.

Tantas, tantas turmas. 

Ultimo ano da contagem regressiva com quatorze números bem pontuados. Uma marca, como se fosse à do primeiro beijo ou a primeira vez com quem se acredita amar. Essa expectativa decepcionante... Podia ser melhor. Termino meus estudos normais, com vinte anos de idade. Eu que comecei aos seis descobrindo que o colégio pode não ser muito bom.

Vamos embora pessoal, temos que conhecer novas pessoas! Agora vocês estão tão perto de mim, mas ao mesmo tempo muito longe. Quem sabe alguns ainda se encontrem na rua e se cumprimentem mutuamente. Outros vão morrer sedo (não desejo isso, mas a vida é assim), ter filhos, fazer faculdade, desaparecer de vez ou simplesmente desistir da vida e ir tocando em frente.

Tantos desejos que vão se curvar a custa das decepções, ao mesmo tempo quantas felicidades ou quanta inveja do aparente privilegio do próximo. (não negue, inveja boa ou inveja ruim qualquer um pode ter).

Meu pensamento é esse, meus amigos. Seguiremos nossos dramas. Nos acabando em cada vez que respirarmos.


Caneta, não me deixe dar lição de moral, ou melhor, não deixe que eu tente mostrar minhas decepções  para aquele que leu até aqui... E no momento só me vem o desejo de que o Brasil ganhe a Copa!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Eu


UM MUNDO ESTRANHO EM que suas opiniões são levadas ao estremo, conhecido por apelidos ou codinomes mais do que por seu próprio nome. Sou LONDON de nome Guilherme, escrevo por escrever, apenas isso, quero que me leiam.

Exatamente nesse ano de 2014, na exata data do final das férias escolares se revela para mim o ultimo ano de estudos, pelo menos da forma em que conheço. E nada terá o significado que tinha antes, espero!

Meus óculos pesam em meu rosto, e naturalmente caem pelo nariz. Me vejo olhando o mundo embasado pela miopia antes de ajeita-los novamente. Essas duas lentes são o reflexo que me define mais do que as minhas palavras, me enquadrando no seleto grupo dos que usam óculos. E no subgrupo dos de lentes levemente grossas.

Meus livros, que costumo conseguir de varias formas. Deste a biblioteca da cidade a do colégio, compro pela internet ou pela livraria mais perto. Me mostram o que quero ver e se não gostar de suas palavras. A leitura se torna lenta e entediante. Esses mesmos livros também me rotulam e juntamente com essa armação negra em meu rosto, colocando a mim no mundo nerd. Um universo de cultura de anjos e demônios, piratas, magias e muito mais! Dividido em categorias indicadas nas estantes.      

E daqui a pouco o planeta da mais um giro em torno de si, mais um giro em torno do sol e tudo muda. Meus textos vão fazer o que sou e o que falo pode ter importância e algum lugar ou época.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sarau - "Poemus" - Rio Preto (MG) Parapeúna, Valença (RJ)

No dia 05 de dezembro de 2013, recitei estes dois textos no Sarau “Poemus”




Quando você acreditar em mim, vou me jogar aos seus pés. Vou rezar um desses crucifixos inteiros, bolinha por bolinha, machucando os dedos. Vou pedir perdão pelo que não fiz. Vou prometer o que não devo. Vou declarar imposto de renda. Cozinhar, lavar, passar, chupar e lhe engolir. Tirar o pó de cima desse espelho onde caímos de cabeça. Quando você acreditar em mim, vai ser uma loucura. Vou cortar os pulsos, sair correndo, pular do prédio. Na alegria e na tristeza. Na dor de cotovelo e na doença venérea. Você vai acreditar em mim como nunca acreditou em outra coisa inexistente. Então eu vou ser seu deus, vou abrir a porta do meu reino dos céus e pedir umas provas de amor de vez em quando, só pra encher o saco. 



O torturador
difere dos outros
por uma patologia singular
— ser imprevisível
vai da infantilidade total
à frieza absoluta.

Como vivem recebendo
elogios e medalhas
como vivem subindo de posto,
pouco se importam pelos outros.
Obter confissões é uma arte
o que vale são os altos propósitos
o fim se justifica,
mesmo pelos meios mais impróprios.

Além de tudo o torturador,
agente impessoal que cumpre ordens superiores
no cumprimento de suas funções inferiores,
não está impedido de ser um pai extremoso
de ter certos rasgos
e em alguns momentos ser até generoso.

Além disso acredita que é macho, nacionalista,
que a tortura e a violência
são recursos necessários
para a preservação de certos valores
e se no fundo ele é um mercenário
sabe disfarçar bem isso
quando ladra.

Não se suja de sangue
não macera nem marca,
(a não ser em casos excepcionais)
o corpo de suas vítimas,
trabalha em ambientes assépticos
com distanciamento crítico
— não é um açougueiro, é um técnico — 
sendo fácil racionalizar
que apenas põe a serviço da pátria
da civilização e da família
uma sofisticada tecnologia da dor
que teria de qualquer maneira
de ser utilizada contra alguém
para o bem de todos.



In: ALVERGA, Alex Polari de. Inventário de cicatrizes. Apres. Carlos Henrique de Escobar. 3.ed. São Paulo: Teatro Ruth Escobar; Rio de Janeiro: Comitê Brasileiro pela Anistia, s.d





quinta-feira, 10 de outubro de 2013

INFÂNCIA



SE COMEÇA EM UMA sala de aula com minúsculas cadeiras e mesas em miniatura, um quadro verde escuro, que suporta em cima de si vários cartazes de papel A4 com letras de A até Z em destaque. Ambiente com gosto de infância, cheiro de inocência esperada na maioria dos pequenos que estão sentados ali.

Nas janelas, muitas experiências quietas em copinhos descartáveis esperando a luz do sol. Alguma coisa está se desenvolve em um algodão com poucas gotas de água.

Muitos lápis de cores variadas, dezenas de desenhos feitos e pintados, aqui e ali um sol sorridente olhando de uma das mesas.

De repente um beija-flor aparece do nada e se move para todos os lados, chamando a atenção das crianças. Peito de um verde brilhante. Se consegui ouvir o movimento de suas assas que batem muitas vezes por segundo, se impondo sobre o som do ventilador que até alguns minutos não estava ligado.

O passarinho some de vista. Aonde foi...? Aonde foi...?

E jogado em um dos cantos da sala, com o peito atingido por uma das pás do ventilador. Algo morto ou melhor, prestes a morrer, pois o coração ainda bate.


A morte de um vermelho intenso, anuncia sua presença.  Em que as crianças não podem tocar, pois ainda não estão preparadas para essa verdade. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FIGURAS DE LINGUAGEM


ENQUANTO ISSO EM UMA aula de português, em que as figuras de linguagem são descritas e destrinchadas.

PLEONASMO,  HIPÉRBATO, METÁFORA. Essas palavras voam cheias e arredondadas pelo ar. E caem no chão se contorcendo!

- Quem gosta de ser irônico aqui? – Ninguém responde. – Ironia é quando dizemos uma coisa deixando a intenção de dizer o contrario. Ser irônico é uma arte, poucos conseguem dominar totalmente a ironia, mas todos nós temos um momento irônico.  

Por que esse silencio de todos que esperam a próxima explicação?

Hipérbole é um grande exagero, como se disséssemos que o céu está caindo sobre nossas cabeças só por estar chovendo bastante.  

E talvez imaginamos outras situações de exagero e nos identificamos com algumas.

- Personificação ou prosopopeia da sentimentos a um animal ou ser inanimado. Faz com que cometa atos esperados somente de um ser humano. Na personificação um cachorro poderia falar ou um liquidificador pensar e ter sentimentos.    

E nisso, uma lufada de vento vem  pela porta aberta da sala e espalha varias folhas pelo chão.

- Precisava que bagunçassem meus papeis, não é!

- Nem que se fosse o vento, professor.

- Pois é tá aí uma personificação. Você não sabe quantas o vento apronta pelo mundo. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONTAS E FORMULAS


PERDIDO ENTRE CÁLCULOS DOS mais variados, fico eu. E faço uma coleção de formulas no caderno, a soma dos quadrados dos catetos e igual ao quadrado da hipotenusa. Me vem na cabeça e tento achar a hipotenusa que se disfarçar na forma de uma simples letra. Sou um pequeno matemático queimando as ideias no papel.

E a explicação do professor que desenha um triangulo no quadro, para facilitar o aprendizado, agita meus pensamentos.

- Vamos pessoal, temos que terminar essa aula o tempo é pouco. – Fala o professor continuando a escrever.

E eu ali tentando decifrar o indecifrável, pra mim naquele momento. Até que o sinal bate e com alguns resultados feitos e outros encaminhados. Fecho meu caderno e vamos a próxima aula.   

Ter que calcular a área total, lateral, da base e o volume de varias formas geométricas, é uma coisa interessante. Com formulas mudando para o tipo de cálculo e forma do objeto a ser medido. Porque não saber quantos metros quadrados e litros cúbicos podem ocupar um determinado espaço?

Digo interessante, mas não pensem que gosto. Sim é aquele sentimento de algo importante a ser feito, que me coloco em algumas situações e que às vezes falha. Mas que hoje em dia está muito mais forte para comigo. 


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Prova de História


SENTADO EM UM DOS cantos da sala, mesa vazia em uma brancura eterna. As provas são distribuídas fazendo seu barulho característico de páginas virando. Tenho minha consciência tranquila, eu não estudei, mas prestei muita atenção nas aulas de História.

Vejo os fantasmas de uma época em que eu nem tinha nascido, estão gritando em voz abafada. “Preste atenção em mim, eu existi. Você precisa lembrar-se do que fiz em vida!” e as respostas são marcadas, datas preenchidas e fatos confirmados.

Eles não sossegam nos dias em que abro os livros que falam sobre suas revoluções. Suas frases marcantes saltam em meu rosto. “Vim, vi, venci” revela um deles para mim. Será realmente que fizeram tudo aquilo que falam? Alguns me parecem fanfarrões contando vantagens imaginarias, que ficaram na história. Coisas que depois de um tempo descobre-se que foi mentira e mudasse os fatos.

A revolução está aí, não no que essas sombras do passado dizem. Mas na descoberta da verdade! Porque a história é feita de pontos de vistas e não de fatos totalmente reais.

- Guilherme, já terminou a prova?

- O que? Há, sim! Terminei. 


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

"Poemus" - Sarau

08/08/2015

 “VIM VI VENCI”

“DECOREI, DEIXA VER.” e repito as palavras na cabeça. “Será que vai dar certo? não, vai sim decorei.” E repto novamente. O sarau já começou e alguns poemas já foram declamados.

05/12/2013

Antes os preparativos...  Sentado na cadeira daquela sala e todos os colegas envolta, alguns com violões, o professor organizando  seus papeis. Cada um vai em frente ao microfone e num instante todos os rostos se voltam para  a pessoa que vai falar. A atenção é toda dela, e começa declamando um dos vários poemas de Vinicius de Moraes:

“Soneto de Fidelidade”

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

(...)

Um teste, temos que adquirir confiança, perder o medo e a vergonha. As palavras saem sem querer sair os gestos são precavidos, as mãos não sabem como se comportar. E os minutos passam, alguns são tão descontraídos. Os dias se vão e o texto na cabeça, a força de repetição, parece tão fácil.  

22/08/2014

Meu nome é chamado, me levanto, vou à frente, poucos segundos se passam até perceber o que tenho que fazer, silencio, começo a falar:

“Trilogia Macabra: I - O Torturador”

O torturador
difere dos outros
por uma patologia singular
ser imprevisível
vai da infantilidade total
à frieza absoluta.

(...)

O dia, todo mundo no palco, expectativa nas alturas. Apresentação dos assuntos, musica, poemas. Declamando na frente com os colegas atrás, esperando sua vez. Procuro na plateia rostos conhecidos um parente, um professor, um amigo. Presto atenção nas minhas palavras e elas parecem sair mais rápido. Com a preocupação de acertar frase por frase, não aproveito tanto o momento. E no final fica a sensação de que poderia ter durado mais.

E já se foi o primeiro com: “Cálice” (Chico Buarque), O segundo com: “José” (Carlos Drummond de Andrade), e lá se vai o terceiro com: “O Torturador” (Alex Polari). Não só esses, mas vários outro: “Cabaret Mineiro” (Carlos Drummond de Andrade), “Pasárgada” (Manuel Bandeira). E tantos e tantos poemas.



sábado, 3 de agosto de 2013

Professora




COMO PODEM SER INTERESSANTES as diferentes pessoas que se reúnem em uma sala de aula. Tirando os professores que são umas figuras. Os alunos em si, são um posso de originalidade, mesmo que se reptam em palavras, gestos ou no modo de se vestir que na teoria seria o uniforme.

O dia a dia de uma turma é dos mais chatos ou legais, dependendo do estado de humor do estudante, que geralmente não é lá dos bons. As brincadeiras e frases marcantes na maioria das vezes saem do fundo da sala que atrai como imã certos alunos.

Esta turma de que falo é a do turno da manhã e chega aos poucos, bocejando, os olhos caídos de sono. Mas logo se anima com a primeira aula que começa e se vai num piscar de olhos junto com a segunda, por causa da professora que brinca com a turma, pegando um ou outro aluno pra “cristo” e assim a hora vai passando. O professor seguinte, de uma matéria bastante chata, demora com suas explicações fazendo o tempo andar lentamente, quase se arrastando. Os olhares nervosos de segundo a segundo vão para o relógio na parede:

- Que aula chata! – Pensa um garoto.

- A hora não passa... – Pensa uma menina, olhando para o relógio pela décima vez.

E assim vai, até o sinal bater para o bendito intervalo, que tanto demorou a chegar. As cabeças esfriam para logo esquentar de novo. Mais três aulas pela frente e mais uma maratona de olhares para o relógio. No quarto horário uma nova professora entra na sala, atraindo todos os olhares:

- Que linda... – Pensam todos os garotos.

As meninas passam os dois últimos horários de caras emburradas e com mil pensamentos. E os garotos todos sorridentes com o mesmo pensamento que se repete a toda hora: – Que linda...



______________________


TENTEI FAZER UMA CRÔNICA QUE CONTASSE A CONVIVÊNCIA DOS ALUNOS COM OS PROFESSORES, APENAS ISSO.

Texto publicado pela primeira vez no informativo “O VIEIRINHA” – Ano 3 / Número 008 / Edição Especial, 2º semestre.


Sinceramente quando o escrevi não esperava a revolta que geraria entre meus colegas. Principalmente as mulheres. Mas compreendo, fui inadequado, porem o texto é uma ficção e a chegada da professora na sala de aula, não aconteceu. Mas algumas características refletem a minha vida... Considero esse texto, um elogio a todas as salas de aula que tive a oportunidade de integrar e aos colegas que foram meus amigos.