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domingo, 4 de janeiro de 2015

Reino das Sombras - Granfaloon

Em que Venial recebe um mal presagio. 


MIL CORPOS SE ENROSCAVAM em uma bolha gigantesca a apenas poucos metros do chão. Com roupas apodrecidas ou a nudez total, estavam cobertos por um muco especo que era proveniente de uma criatura infernal. A bolha parecia pulsar!

Venial tenha consciência de onde estava, mas não sabia como avia chegado ali. Muitas partes do reino das sombras eram perigosas até mesmo para um deus. Ele muito menos tinha a forma e poder de um deus naquele momento. Estava em um corpo mortal, com privilégios no fato de ser um herói mas mesmo assim, poderia morrer.

Um dos corpos se desprendeu da enorme carapaça, caindo ao chão. E mais outro... e outro... a cada um que caia surgia outro por baixo, nunca revelando as fases da medonha criatura que os usava como escudo. E o que Venial tinha para se defender? Apenas um bastão de madeira e seus músculos, que muitas vezes era mais do que o suficiente para lhe garantir a vitória.

Enquanto seus bonecos se punham de pé o casulo pulsante afastou-se lentamente. As dezenas de rostos em sua carapaça sorriam e gemiam. Homens e mulheres preços, talvez, por toda eternidade servindo como proteção ao que só existia longe dos olhos dos deuses e do senhor daquele mundo, que coincidentemente era irmão de nosso herói.

Venial retrocedeu alguns passos para ao menos tentar se proteger das mãos estendidas de uma dezena de cadáveres. Se não conseguisse, tornar-se-ia um deles pra fazer parte da colmeia. Não podia fugir, achava que um verdadeiro herói nunca fugiria de desafios como aquele, essa principio estava entranhado em sua mente. Tinha que lutar e sabia que agora era hora de testar seu bastão.

Mirou em uma das cabeças e com um movimento de braço e sua imensa força conseguiu explodi-la o que foi uma alegre surpresa, pois achava que quebraria o bastão. Um por um ele abateu da mesma forma que fizera com o primeiro cadáver.

Corpos perfeitos. Não avia nenhum dos que jogou por terra, que tivesse um defeito físico ou idade avançado. Todos eram belos e entre eles, mulheres que com certeza, em vida seduziriam reis ou até mesmo o pai de Venial. Agora, tinha que avançar e de alguma forma  derrotar a bolha flutuante. Talvez aquilo fosse vontade de seu pai. E um nome veio em sua mente Granfaloon.

Chegou à beira de um negro precipício onde Granfaloon descia como se não tivesse peço. Soube nesse momento o que tinha de fazer. Gemidos, gritos e lamentos vinham da rachadura na terra negra e carbonizada de onde a criatura descia cada vez mais.

Pulou... 

Iria abrir um caminho por entre aqueles cadáveres e alcançá-lo. Uma boca se abril sobre a carcaça de mortos, soltando um estrondo que mais se assemelhava com uma gargalhada e engoliu Venial, homens e mulheres ergueram os braços para recebê-lo e a escuridão prevaleceu.


Acordou em sua tenda de acampamento, o corpo recoberto por uma camada de frio suor. Sem saber onde estava e a lembrança de seu terrível sonho fugindo aos poucos da memória, de alguma forma Venial sabia que aquilo não fora apenas um sonho.  

sábado, 18 de outubro de 2014

PÔR DO SOL


NÃO SEI COMO ELE conseguiu chegar aquele ponto. Dominou praticamente o mundo inteiro, felizmente obtendo resistência de seus iguais, os grandes reis, mas mesmo assim foi adiante até sobrarem três de seus adversários. O maldito até conseguiu matar dois de meus bastardos, mas não descerei  de meu trono para derrotar esse bonequinho de barro que eu mesmo moldei. Tenho quem faça isso por mim. Seu castigo já está preparado!

Agora que tirei Mírr do caminho de Venial, tudo correrá tranquilamente. Consigo ver que minha vontade será feita.


ELE ESTAVA COM HEMATOMAS pelo corpo inteiro. Como é possível de um dia para o outro Venial ter se machucado tanto assim, há poucas horas eu o tinha visto com aparência muito melhor, Agora parecia um morto.

Um de seus olhos foi coberto por um enorme inchaço, mas mesmo assim, em quando eu conversava com ele, sua energia que a primeira vista parecia ter se esgotado  completamente. Estava voltando aos poucos com  a perspectiva de matar nosso inimigo. Tentei lhe perguntar o que tinha acontecido, mas seus pensamentos só se focavam no rei que devia que morrer. Essa era sua meta.  


NAQUELE DIA QUANDO O sol se pôs a guerra terminou. Suas mãos foram armas e com elas, derrotou o aço de uma espada que já não tem mais dono, quebrou a armadura de um rei pretensioso. E são muitos os que podem contar como foi que aconteceu. 



O ESPÍRITO DE um grande rei esta em minhas mãos. Esse teve toda a gloria em vida, colocou sua vontade sobre todas as outras e tentou alcançar a fortaleza dos deuses. Ainda tenho que consultar mel pai, para saber quais são suas intenções em relação ao novo morto. Rei Sol aproveite sua estadia eterna em meu reino das sombras, aqui velas não são acesas. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Venial / De guando Venial se coloca a serviço de um dos reis da trindade


CONTINUAÇÃO DE – MEU HERÓI

ESTAVA NO CASTELO de um dos três reis restantes. Tinha vendido meus serviços a ele, pois pretendia defender um dos lados na grande guerra que ameaçava vir bater em nossas portas. Porem Maemote I me colocou como babá de seus dois filhos, o maldito rei tinha a certeza de que o inimigo tentaria contra a vida de seus herdeiros. Tive que estar na companhia de Maemote II além de vigiar sua irmã, Vani.

O garoto me tratava como uma sombra, não me dirigia uma palavra se quer. Pois nem precisava, sabia que eu estaria ali. Já a menina me procurava a todos os estantes, sempre quando tinha uma oportunidade, conversava comigo deixando claro suas intenções de me levar a seu quarto.

Todas as vezes que pude aceitar um daqueles convites, são incontáveis. Poderia tê-la quando quisesse, as leis daquele reino me permitiam isso e acredito que Maemote I incentivava sua filha, mas não quis usufruir de meus direitos. Já naquele tempo eu sabia de quem era verdadeiramente filho e essa noticia correu em todas as direções. O filho que acaso surgi-se de um momento de fraqueza minha com Vani, seria privilegiado simplesmente pelo fato ser meu filho, alem de ter uma grande possibilidade de herdar algum dom divino, Maemote I sabia disso. Meu pai já tinha tratado de espalhar o sangue dos deuses sobre a terra. Eu não continuaria com seus erros.

Curiosamente o príncipe estava mais preso aos costumes do que sua irmã. Só teria uma mulher em toda sua vida, a rainha destinada a compartilhar o trono, que poderia passar as mãos do príncipe a qualquer momento guando a guerra estourasse. 

***

O monstro Pesadelo atacou e tivemos muitas baixas. Os cemitérios estão lotados com as centenas de ossos polidos que a criatura deixou para trás e ao que tudo indicava, ela tinha um objetivo, procurava alguém. Vani diz que era eu o que Pesadelo procurava e seu pai que aquilo de alguma forma foi obra do Rei Sol para enfraquecer a trindade, ultima resistência a sua dominação. Mas esse simples mortal não teria poder para invocar tal criatura, disso tenho certeza.

***

Agora concordo com Vani, um herói atrai acontecimentos estranhos. Cada dia de minha vida literalmente é uma aventura, sou testado por todos, eu escolhi isso para mim.

Então já que minha presença é prejudicial para os filhos de Maemote I e que todas as tropas da trindade estavam se movimenta para a guerra, as acompanhei. Só meu pai sabe agora o que vai acontecer e que o destino esteja em suas mãos.
   

  

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

MEU HERÓI



EU O QUERO DO fundo do meu coração. Farei-me sua mulher a qualquer custo. Você me terá em seus braços Venial, ou não me chamo Vaní.

No dia em que ele me salvou de pesadelo, descobri que nossas almas estavam entrelaçadas. Simplesmente, fomos feitos um para o outro.

Tem que ser assim, afinal, eu sou a filha de um dos grandes reis da aliança. Meu pai fez de Venial o  guarda costas de todos os seus filhos. Em quanto minha vida correr perigo, ele estará do meu lado.

Aquela criatura monstruosa ou pelo menos uma parte dela, tentou me devorar. O monstro se dividiu em várias partes e invadiu o castelo, feito uma névoa negra que passou por entre as rochas dos muros.

Não estava atrás de mim, mas de meu amado herói. Cada ser vivo que a criatura das trevas encontrava em seu caminho, era devorado até os ossos. E eu entrei no caminho de pesadelo.

Venial se pôs entre mim e o mostro, foi coberto pelo manto negro de pesadelo que tentou devorar sua carne.


Mas, me parece que o sangue de meu herói é indigesto. Pois em cada vez que se encostava ao líquido vermelho vivo uma parte de pesadelo se desfazia em fumaça, para não voltar nunca mais.




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O DEVORADOR DE DEUSES

NÃO FALAVA NEM TINHA consciência de nenhuma forma. Seu cérebro era minúsculo apesar do tamanho descomunal do crânio, para ele a vida era comer e dormir. Às vezes o sono durava eternidades e quando acordava, desespero e morte seguiam seu caminho.

Estava escondido no meio de uma enorme floresta, sobre as sombras de gigantescas árvores seculares. Seu sono já durara por décadas, ele foi esquecido pelo mundo e uma grossa camada de musgo e folhas apodrecidas grudava sobre o espesso couro de suas costas. Aqui e ali se podia ver o branco do osso que perfurava a pele. Mas ao que tudo indicava, iria dormir por mais tempo e se os deuses quisessem, por todo o sempre.

Foi fruto dos sonhos atormentados de Mírr. Em que o deus acreditava poder existir algo maior, mais poderoso que qualquer divindade, criaturas capazes de devorar os imortais.

Já que era sua criação inconsciente, Mírr não conseguia controlá-lo muito bem, mas o monstro servil de varias formas a seus propósitos. Feito um selvagem animal de estimação, a criatura dos sonhos, já devorou vários de seus desafetos.

Levando o som de sua voz pelo vento, pois não se atrevia chegar muito perto de pesadelo. Mírr, conseguia alcançar na forma de sussurro os ouvidos calejados do monstro e o atiçava. Mostrando que à hora da comida avia chegado.

O irmão invejoso de Venial  estava planejando um encontro do herói com pesadelo, o pior de seus sonhos. 


Acordou se espreguiçando e mostrando enormes mandíbulas. Não se assemelhava a nenhum animal conhecido pelo homem comum. Derrubou todas as árvores que o prendiam naquele lugar, abrindo seu caminho mais uma vez, arrastou sua enorme barriga vazia, para dentro do mundo dos homens. Pesadelo acordou e tinha um objetivo bem definido, estava com fome e precisava se alimentar.




quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Possuídos


ATÉ QUANTO VOU CONTINUAR respirando? Quase morri, mas não foi por hoje. Graças ao deus de todos os deuses, por  ter colocado Venial em meu caminho. Olha só, um herói com nome de um deus! E por isso tive a oportunidade de ver com meus próprios olhos a queda do grande rei.

Estava cansado, já bastante ferido. Com cortes pelo corpo que não saíram barato para quem os fez. Eu e Venial lutávamos lado a lado, somos grandes amigos, fizemos escorrer muito sangue sobre a terra.

O que mais me fascinava nele era o fato de ser verdadeiro. Nesses tempos, qualquer um pode se chamar de herói. E provou ser, mostrando sua bravura e força, que um homem comum não pode ter, eu com certeza não tenho.

Mas não o invejo. Pelas histórias que conta, fez por merecer seus poderes

Nesse dia, no começo da tarde, já estávamos em campo de batalha há muito tempo. Não se sabia qual exercito ganhava. A aliança tinha que vencer aquele que se alto proclamou deus. De qualquer jeito era vitória ou morte!

Não sei como aconteceu, nem se alguma força fora de minha compreensão tenha agido sobre a mente de todos naquele dia e principalmente dos três soldados. Mas no momento em que os homens em luta se afastaram de Venial, formando um espaço livre entre ele e qualquer um que temesse perder a própria vida. Talvez por magia, mas o silencio se fez sobre os dois exércitos naqueles poucos minutos em que o conflito parou.

Três soldados mais próximos do meu amigo, desmaiaram um seguido do outro em confusões epilépticas. Nesse pouco tempo entre a queda do primeiro e a do terceiro, estavam novamente de pé avançando na direção de Venial. Seus rostos completamente mudados e os olhos parecendo não ver.

Tentei me mexer para ajudá-lo, mas alguém dentro de mim não queria que eu fizesse isso.

Venial se protegia dos golpes furiosos que vinham de diferentes direções ao mesmo tempo. Sendo recebido logo depois por mais tentativas de alcançá-lo com laminas de três espadas. Caretas medonhas que contorciam todos os músculos do rosto, foram feitas pelos furiosos soldados do Deus Sol.

O maior de todos, por muito custo foi o primeiro a cair seguido alguns minutos de pois por mais outro.

Que luta meu Deus. Não foi fácil, mesmo ele sendo um herói. Teve momentos que acreditei que Venial não sairia vivo dessa História. Lutou mais bravamente com o ultimo dos homens possuídos e o venceu da mesma forma.

E quando atingiu a cabeça do homem com sua enorme mão, esmigalhando todo o crânio. Os soldados a volta criaram vida, com a morte do possuído a guerra começo mais uma vez.

Venial olhou para mim e abril seu longo sorriso de dentes brancos, dizendo que ainda não estava morto...  mas ate quando Venial?



segunda-feira, 6 de outubro de 2014

REI SOL

NASCI EM TRONO DE ouro, meus professores foram os melhores, conheci tudo que foi preciso saber, cuidei do corpo e da alma e sou maior guerreiro do que qualquer soldado em meus exércitos. Fiz-me rei antes de meu vigésimo aniversario e nas guerras, me coloco nas primeiras fileiras incentivando todos a prosseguir. Ultimamente as batalhas são eternas!

Fiz o que tinha de fazer, não tive outra escolha. Sou um deus, mesmo nascendo homem reivindico para mim a divindade de governar os homens. Então bani todos os cultos a outros deuses nas terras que controlo.  

Reuni exércitos e marchei sobre dezenas de reinos infiéis, eles devem se curvar perante seu novo deus, o Deus Sol. Mas parece que meia dúzia de reinos ainda resiste. Porem por pouco tempo.

No campo de batalha é que se mostra o verdadeiro espírito da humanidade, e vou estar lá para vencer. Instituirei uma dinastia de deuses sobre a terra, dando a meus filhos todos os impérios existentes.

Agora tudo em que lutei vai se tornar realidade, essa é a ultima batalha em que vou subjugá-lo sobre meus pés...


sábado, 4 de outubro de 2014

Vontade do pai



Sob o olhar de um pai


NÃO SEI COMO CONTROLAR meus filhos, eles são rebeldes e irresponsáveis. São muitos, bem mais que os dedos em minhas mãos. Admito que tenha certas preferências por alguns, mas na posição de pai, não quero o mal de nenhum deles. Por isso tenho de entrar em suas disputas e castigá-los, porque estão errados.

O que me espanta é de os mais problemáticos serem os que ficam do meu lado, perto do alcance de meus olhos. Por isso que dou preferência aos bastardos, eles procuram me agradar de mil formas diferentes, pena que não posso dirigir-lhes muita atenção. Se não, um de meus legítimos é capaz de causar uma revolução.

Utilmente, me preocupei com dois de meus legítimos, mesmo assim foi um caso muito interessante de tratar:
  
Venial me procurou dizendo que queria se tornar um herói, portanto desejava minha permissão para encarnar na Terra. Talvez, sabendo de minhas preferências por seus meio irmãos tenha decidido chamar minha atenção ou simplesmente era mais um de seus desejos irresponsáveis. Um pedido desses merecia Meu julgamento, por isso demorei um tempo para pensar na forma de realizá-lo.

Já estava querendo começar mais um de meus casos extraconjugais e uni o útil ao agradável, deitando-me com Mari uma simples mortal, filha de um pastor. Desta forma levei a consciência de Venial ao mundo da matéria. Dando-lhe todos os poderes que um de meus bastados poderia ter, mas é claro que seu espírito privilegiado o favoreceu muito mais.    

No entanto Mírr soube do que fiz e de alguma forma descobriu que se Venial morresse antes dos trinta e três anos sua consciência deixaria de existir. Mas mesmo assim permiti que as crianças prosseguissem em seus planos. Seria uma boa maneira de ensiná-las alguma coisa.

Concordo que me diverti vendo aquelas aberrações que Mírr criava, sendo destruídas por Venial. Gostei da ignorância de Mírr, mal sabia ele que estava desenvolvendo os poderes do irmão e que nada o tiraria de seu objetivo. E mesmo se acontecesse algo desse tipo, eu interferiria prontamente.


Mas aconteceu de Mírr passar dos limites. Eu queria aquele rei morto e se o garoto inutilizasse o irmão, aquele maldito rei ainda estaria vivo. Nenhum monarca pode se colocar na posição de um deus! Por isso puis Venial no caminho do Rei Sol. Bastou estalar meus dedos para trazer o filho a minha presença. Eu o caustiquei do pior jeito possível, tirei sua voz, ficaria mudo por toda a eternidade se essa fosse minha vontade. 

sábado, 27 de setembro de 2014

O Irmão de Venial

MEU IRMÃO, MAIS UM de vários outros que disputam comigo o poder. Decidiu passar alguns anos em forma humana e se mostrar diante  daquelas criaturas formadas do barro.  Mas, mal sabia ele, poderia deixar de existir se fosse morto prematuramente.  Acredito que nem nosso pai o deus de todos os deuses, que a tudo sabe, tenha dado atenção a esse ponto em especial. Claro o irmãozinho mais novo é adorado e consegui tudo que pede.

Mas no começo decidi não interferir. E quando todos se perguntavam a onde estava Venial eu e meu pai sabíamos. Vi as pequenas vitórias que o menino conquistou, mas cada corte que levava no corpo, torcia para que morresse.

No entanto nada aconteceu, ele apenas vencia, e as feridas cicatrizavam. Com raiva crescendo dentro de mim, decidi interferir. Depois que seus pais de barro foram mortos ele tomou iniciativa de andar por todo o mundo. Mandei monstros em seu caminho, mas um por um caiam a seus pés.

E os anos passavam, ele estava com trinta verões, mais forte que qualquer herói já existente. Decidi matá-lo eu mesmo, pois faltavam apenas três anos para acabar com aquela historinha e minhas criaturas não conseguiam nem mais, fazê-lo sangrar.   

E no meio daquela guerra em que vários exército tentavam derrotar o pior de todos os reis mortais. Controlei alguns soldados, mas não adiantou. Via agora que apenas eu conseguiria, tomei forma e enfrentei Venial, quase o matei, ele estava em minhas mãos, mas nosso pai interferiu e me castigou.

Pouco tempo depois Venial voltava vencedor, com todas aquelas cicatrizes de que se gaba agora. Porem elas estão sumindo aos poucos e fico feliz com isso.       

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A História de Um Deus / O começo de um herói



   Temos escolhas a tomar em nossas vidas e eu vou lhe contar a história de uma escolha que de certa forma mudou o reino onde eu vivia. Saiba que não necessito de apresentações no momento, porque o que tenho para dizer vale mais que minha identidade. Olhe para mim apenas como o contador desses fatos e nada mais que isso. Pois a história não será minha, sou apenas o instrumente de algo que tem que ser dito.

Em meu reino, cultuávamos muitos deuses e até hoje em dia depois de dezenas de décadas em que me afastei daquele saudoso lugar e vim parar aqui. Praticamente em outro mundo onde poucos deuses sobrevivem e pelo que vejo acabarão se tornando um único Deus que reinara sobre nossas cabeças, eu penso com carinho sobe a terra em que nasci.

Preste bastante atenção, pois irei falar sobre um herói que dizem ter origens divinas, seu pai, o maior de todos os deuses. Esse homem nasceu em minha aldeia e apesar de eu nunca o ter visto naquele lugar, ele marcou as mentes dos moradores mais velhos que não deixaram os novos se esquecerem de seus feitos, que se renovaram a cada dia sobre as ordens da trindade. Os últimos três reis a oporem resistência ao Sol.

Aqueles tempos eram difíceis e essa afirmativa e custosa para mim, pois acredito que não existem tempos fáceis para ninguém. Estávamos sobe a ameaça de guerra deste muito antes de eu ter nascido e nosso povo avia se acostumado com as atrocidades e com os feitos heroicos que surgiam das circunstâncias em que vivíamos.

Preste atenção pois agora, contarei alguns fatos sobe a visão de um deus:

Temos escolhas a tomar em nossas existências, sejam elas curtas como as dos mortais ou longas como as dos deuses. Elas nos levam a caminhos diversos dos que planejamos, eu peguei vários desses caminhos. E mesmo sendo de origem divina, um herói e muito mais que apenas herói, pois antes disso fui um deus a agora alçado a essa condição novamente. Depois de ter tido a vida que queria entre as criações de meu pai, percebo que minhas escolhas foram impensadas. Não me arrependo simplesmente reavaliei meus motivos, mesmo assim fico muito feliz de ter feito o que fiz. Abri muitas portas! 

Esses heróis que para mim são o sal da terra dão gosto a curta vida dos mortais que aqui vivem. Eles próprios podem se encontrar com a morte, mas mesmo assim prosseguem em cada aventura conquistando suas vitorias e quando perdem e caem em campo de batalha é como que vencessem assim mesmo. Em seu ultimo suspiro gravam seu nome na mente dos que ficam em terra, ganhando cada vez mais força em histórias que surgem a seu favor. E mesmo que na forma de um herói desconhecido eles conquistam mais corações do que um simples deus. São lembrados tanto como os deuses e me arrisco a dizer que muito mais do que nós gostaríamos que fossem.

Eu vejo esses seres criados na vontade de meu pai, se vangloriando por aí simplesmente em possuírem algo de divino em seu sangue, filhos de uma mortal com um deus. São os únicos mortais que estão marcados para que a morte, conhecida no hábito de cometer muitos enganos, saiba o momento  certo de levar seus espíritos para o além. Mesmo assim quando à hora chega alguns têm a coragem de encarar a criatura alada e conseguem uma vida mais longa, simplesmente porque comprovam seus assuntos inacabados e não dão o braço a perder.          

E eu não imaginava que fosse tão complicado, numa forma mortal, viver nesse mundo. Presenciei a vida de alguns dos meus meio irmãos, mas admito, aprendi muito pouco só em acompanhar seus passos. Filho de um deus, praticamente inexperiente nesses assuntos, ou pelo menos eu era. Agora aprendi da pior forma como é sentir dor, fome e frio. Na casa de meu pai nada me atingia.

Mas... quis ser herói, admirei a curta vida de meus irmãos bastardos. E de qual forma um deus poderia realizar feitos heroicos? Foi assim que decidi me tornar mortal e meu pai, sendo quem era, impôs quais seriam as condições para que seu filho fosse à terra.

“Cuidarei de que nasça em família humilde, para que possa ver a injustiça criada pelos homens” disse ele, e eu apenas sorri. “A partir de certa idade ganhará força e terá consciência de quem é seu pai.” Não gostei de passar alguns anos sem saber quem era, mesmo que fossem poucos anos, aquilo não me agradou, mas aceitei.

Meu pai tomou forma mortal e se deitou com aquela que me daria à luz e assim nasci.

Tomei consciência de mim mesmo da pior forma possível. No dia em que meus pais mortais foram mortos por soldados do exército de seu próprio rei, me vinguei matando-os alguns dias depois. Assim, saí pelo mundo cometendo feitos heroicos!

Só agora percebo que fui clichê: matei monstros às dezenas, ladrões, saqueadores e lutei em duas guerras. Até mesmo enfrentei um de meus irmãos. Ele não sabia quem eu era, e confesso que fui derrotado.  

Agora estou de volta, ao lado esquerdo de meu pai. Curiosamente com muitas cicatrizes pelo corpo, mas que estão desaparecendo aos poucos. E olha que morrer dói muito! Pelo menos minha morte foi assim e não pense que reclamo disso. A dor é uma coisa com a qual até hoje não me acostumei. 


O Irmão de Venial