quarta-feira, 4 de junho de 2014

A VIDA DE JEREMIAS



SE TIVESSE A ESCOLHA de voltar atrás, coisa que acredito ninguém tenha, decidiria não subir na árvore e não quebrar o braço. E foi justamente assim que minha vida descambou. 

Eu de nome Jeremias, conheci ela chamada Elizabeth e infelizmente um homem conhecido pelo nome Otávio, veio a me encontrar. 

Praticante de artes obscuras essa criatura se pôs no meu caminha e de Elizabeth. E justamente no dia em que decidi por fim a tudo isso, ele me levou ate o deserto para que morresse de baixo de um do sol escaldante. Porem, por obra do destino esse terrível mago precisou de mim: 


JEREMIAS SE JOGOU POR terra, caiu de joelhos, com as mãos nas cochas. O sol queimava alto sobre sua cabeça. 

- A água corre sobre a terra, a terra sai de minha boca, o vento queima meu rosto. - Dizia pausadamente. 

Uns dês passos atrás, jazia a carcaça de Elai, seu cavalo morto pela sede implacável. E a pouca distancia de sua mão a pistola com apenas uma bala. 

- O mar cai gota por gota em minha cabeça... 

Jeremias se levantou pegando a pistola e olhando para o horizonte começou a andar. Passo a passo, iria chegar a seu destino. 

- Não desiste homem? – Perguntou Otávio, correndo em sua frente. 

Jeremias apontou sua arma na direção do inimigo. Fechou um dos olhos, pois via dobrado, querendo ter certeza de acertar seu único tiro. Mas não teve forças nem para apertar o gatilho! 

- Olhe... – Apontou logo à frente – Vê, ali está ela. Elizabeth ti espera! – Se formando no calor do deserto, a criatura feminina vinha na direção dos dois. 

- Não pode ser. A morte me espera, não tenho mais esperanças. 

- Tem sim... Junte-se a mim. – Abaixou a mão que apontava e a criatura se desfez em areia. – Tem razão, ela não está aqui, mas eu posso ti levar até ela. Quer? 

- Jeremias Nada disse, apenas caiu mais uma vez de joelhos. 

- Pela ultima vez, vamos lá, junte-se a mim. Tenho uma missão para você! 

- Otávio... Não vou ti ajudar em nada... Da mesma forma que meus dias estão contados... Os seus também estão... A magia está ti consumindo! 

- Então, tudo bem. Morra antes de mim e nunca mais veja Eliza... – O som do tiro cortou o ar, e Otávio não pode completar o nome. Foi atingido no peito, nem sua magia negra poderia salvá-lo, estava sendo consumido por ela e sedo ou tarde, iria morrer. 

Jeremias perdeu a consciência e a recobrou ao anoitecer. 

- Acorde amigo, vejo que passou por maus bocados! – Jeremias apenas pode dizer o nome de Elizabeth, para cair mais uma vez na inconsciência.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

SONHO: AFASTE-SE


SENTADO NESTA ESCURIDÃO, COM o barulho incessante de um mosquito a minha esquerda, já faz meia hora ou um dia, não sei muito bem, como não enlouqueci ainda?

E essa escuridão domina meus olhos, como se uma enorme mão tapa-se o rosto. Desesperou-me, acelerou meu coração e me fez sentir afogar. Tão liquida ela é, como se eu pudesse tocá-la.

Tento me afastar de tudo isso, fecho os olhos e me tranco dentro de mim. Meu braço começa a arder, não posso olhar, mas mesmo assim olho e o sangue escorre de um enorme corte lateral.

Uma voz vêm de algum lugar distante, me acusa, e quando ela se vai, sou eu me culpando, adormeço!

ACORDO E ME VEJO no meio de um circulo em que nas laterais passam pessoas sem rosto. Algumas vêm em minha direção, mas são afastadas por um animal, verdadeiramente um monstro, ele corre em volta de mim impedindo todos de se aproximar... 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

SEQUESTRO



FABIO PAULO VIAJAVA EM grande velocidade por uma auto-estrada do interior. Os faróis desregulados de seu carro cortavam a escuridão, pontuados de minuto a minuto os olhos de gato passavam despercebidos.

E o radio tocava, Raul. Tentando se manter acordado, Fabio arregalava os olhos pesados pelo sono. Tinha que chegar a cidade do Vale às 6 h da manhã e muitos quilômetros existiam em sua frente.

“Eu nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais.”

Perdeu a consciência por alguns segundos, a música já se tornara outra e as rodas ainda andavam pela estrada. Tinha que chegar... Tinha que chegar... Suas pálpebras se fecharam novamente e no momento que isso aconteceu, Fabio nada percebeu, apenas dormiu.

Acordou em um ambiente iluminado. O frio entrava em seus pulmões, não conseguia falar, apenas se dispôs a gemer. Onde estava? Com certeza tinha batido com o carro e fora internado.

Sua visão ficara embaçada, vil um rosto aparecer ao seu lado. Sentiu que tocavam nele e voltou a dormir.

Vozes indefinidas, sombras, sensações de frio e calor, desconforto foi o que conseguiu definir sobre o sono que teve.

E acordou novamente em seu carro. Tinha estacionado a beira da estrada e Raul continuava a cantar:

“Eu vi Cristo ser crucificado. O amor nascer e ser assassinado. Eu vi as bruxas pegando fogo pra pagarem seus pecados.”


domingo, 18 de maio de 2014

VIDA ETERNA


  MARCO NESTAS PÁGINAS AMARELADAS pelo tempo, tão ásperas em minhas mãos, com um simples lápis apontado por meu canivete, estas últimas palavras que um ser humano vai escrever na face da terra. Digo isso por pensar ser o único ser vivo existente e o dom da imortalidade que alcancei. Hoje de nada me serve.

Maldito seja meu nome, por na juventude repleta de livros, ter procurado a vida eterna; malditos sejam mil vezes os meus olhos por terem percorrido aquelas páginas e decifrado os símbolos e fórmulas alquímicas que me possibilitaram derrotar a morte.

Meus pés andam em um mundo destruído, onde os únicos restos de uma raça que dominou terra, água e ar são apagados pelo tempo.

Dedico esse texto ao esquecimento. Quem vai ler meus pensamentos? Qual criatura vai conhecer minha história?

Incrível como em questão de poucos anos no abandono, as árvores crescem ou a grama conquista seu espaço. A poeira formou camadas sobre tudo, as rachaduras andam atrás de mim e correm em minha frente.

Parece que, se não tem ninguém para ver ou escutar, tudo se desenvolve e o silencio agora eterno cria vida aos meus olhos.

Na escuridão da noite, olho as estrelas pálidas e me pergunto se ainda  existe alguém neste mundo ou até em outros planetas. Antes do fim, tivemos sinais da existência de civilizações alienígenas, mas o tempo foi pouco e não permitiu uma resposta.

A energia vai se esgotando. Consegui acumular baterias e pilhas Agora tudo me pertence. Apesar de não precisar comer, sinto necessidade de ter o gosto de algo comestível. Os enlatados vão me satisfazer por muito tempo, mas sei que a cada dia vou ter que criar o que uso ou consumo.

De uma coisa tenho certeza: bastante tempo eu vou ter para ler e juntar todo o conhecimento deste mundo que acabou. Sou o que sobrou, o único que o tempo não vai destruir.