sábado, 5 de outubro de 2013

Outros Tempos

- ISA -

 - LOGO MAIS VOU SABER o que poderá ter acontecer a ele, já partiu a um dia com sua minúscula mochila contendo poucos suprimentos e algumas mudas de roupa...

Isa registrava em seu gravador os dados de viagem, o que já tinha virado um costume. Seus relatos e os de seu companheiro eram o de mais importante que avia em toda a caminhada que fizeram ao longo do tempo e do espaço. Tudo o que aconteceu estava registrado em um minúsculo gravador portátil, preso a cintura de Isa.

- Nada de sinal, tentei muitas vezes e já desisti. Insisti muito para ir junto, mas ele  não quis. Disse apenas que seria mais necessária aqui. Enlouquecidamente quer ver o que há do outro lado.

- É um louco, no terceiro dia e ainda não voltou. As lendas que vimos sobre o que iríamos encontrar não nos davam respostas tranquilizadoras, só falavam em morte. O povo deste lugar não se atreve a aparecer nem onde estou acampada. Continuo esperando, procurando um sinal!

A cada hora que se passava, ficava cada vez mais nervosa, se maldizendo por não ter insistido mais, em ir com ele.

- Que droga! Onde você está nesse momento, vou me aprontar e procurá-lo.
***

- Subida íngreme! Estou perdendo facilmente o fôlego, porque me convenceu a fazer isso Guilherme? Se não fosse você, hoje eu estaria tranquila em minha casa na terra e não em um planeta completamente estranho, a procura de uma civilização perdida. Será que a era de exploração nunca vai acabar... Que louca sou, a humanidade ainda tem um universo infinito e graças a Deus comprovadamente habitado!

  - Ainda não ti encontrei, à noite esta alta, tenho que montar acampamento. Encontrei sinais da civilização que procuramos. Será que você encontrou os mesmos sinais? Espero!

- Acordei bem sedo hoje, estou preocupada, recebi um comunicado da Terra. Eles querem saber como estamos e se temos progresso, tive que mentir e afirmei que mandaria um relatório daqui a alguns dias.

Tentou estabelecer contato, mas não conseguia.

- Já estou no alto e vejo uma enorme construção, parece muito longe desse ponto de vista. Estou indo para lá!

Um imenso espaço se descortinava em sua volta.


- GUILHERME -

- JÁ SAI A ALGUNS dias e me localizo nas ruínas, Isa me preocupa, não tenho nenhum sinal de comunicação, ela deve estar desesperada. Nós dois estamos nesse planeta a um ano da terra. Registramos e catalogamos espécimes, e as histórias de uma civilização alienígena. Primeira raça comprovadamente alienígena que a humanidade encontrou a séculos.

Dizia ele eufórico e sabia que muitas perguntas sobre aquele povo ainda deviam ser respondidas.

- Eles me lembram os antigos índios da terra... Índios que não existem mais, foram todos incorporados à civilização.

Se perguntava se naquele imenso planeta existiriam outros povos. Aparentemente aquele que avia encontrado, vivia isolado a muito tempo.

- Com a descoberta das lendas que se referem a essas ruínas, Isa se assustou, ela é facilmente influenciável, leva tudo ao pé da letra.

E mostrava os enormes monumentos, focalizados sobre a lente de uma pequena maquina de vídeo.

- Tive que deixá-la no acampamento, tentou me convencer a levá-la comigo, mas não aceitei precisava mais dela ali. Nos comunicamos poucas vezes, depois o sinal caiu, alguma interferência magnética com certeza.

- Guando via as ruínas pela primeira vez, fique extasiado. Sou fascinado por história e estou abrindo um novo ramo dessa árvore que compõe todos os fatos históricos do planeta terra, talvez essa civilização que vejo através do passado tenha tido de alguma for um contato com nosso planeta.

Guardou a máquina em sua mochila, se aproximou de uma das paredes.   

- Enormes construções feitas com gigantescos blocos vermelhos. Consigo ver alguns desenhos incrustados nos blocos, vários estão bastante corroídos pelo tempo, mas é incrível ainda conseguir ver esses desenhos.

Sentiu a tentação de sentir a textura das inscrições na pedra. 

- Não consigo encontrar nenhum sinal de entrada, vou montar acampamento aqui mesmo.

- Ah, tenho que voltar e contar tudo a Isa, tenho que trazê-la comigo e também um daqueles alienígenas tão supersticiosos. Ele tem que me traduzir esses desenhos, se é que pode traduzi-los.   


- OUTROS TEMPOS -

FICAVA SENTADO PERTO DE sua casa, já era  bastante velho o que o fazia ser respeitado e procurado. No dia em que os dois humanos vieram, começou a esperar grandes coisas.

Um homem e uma mulher se diziam de outro planeta, apontavam as estrelas tentando mostrar um ponto luminoso em especial, Terra. Traziam muitas coisas, se dispuseram a mostrar a todos. Instrumentos sem sentido para ele.

- Nós queremos saber sobre vocês, sua história!

Dizia o homem tentando ser entendido. Ele com todo prazer contou tudo que pode. E muitos dias se passaram nessa troca de conhecimento.

Quando os dois quiseram em direção as ruínas, ele tentou impedi-los.

- Não podem entrar em um local sagrado.

Mas o homem insistia.

Tentou impedi-los colocando medo, sabia que o medo era a solução, inventou histórias falando sobre morte. Mas eles foram mesmo assim.  Não usou de força, sentia que os tempos eram outros, que seu mundo já não era o que era antes.


E quando o homem apareceu novamente em sua casa, soube o que precisava ser feito. Se curvou sentindo o peso do tempo sobre suas costas e atendeu a seu pedido. Afinal eram outros tempos.    

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um Deus Qualquer


NA HORA DO NASCER do sol em que as cores criam vida, com as nuvens atingidas pelos raios laranja avermelhados, e o céu se ilumina, aquecendo e dando boas vindas a todos que saem de suas casas para o trabalho ou ao caminho de mais um dia de aula, naquela hora é que ele gostava de caminhar, invisível a todos, com passos cadenciados e olhar distraído.

Parecia distraído, mas nada passava cem que notasse. Nesses momentos do dia ele relembrava o começo de sua longa vida e via os erros que cometeu e as vitórias que conquistou.    

Fora um deus todo poderoso, tivera muitos filhos e muitos seguidores. Mas agora na era de um só deus e sem mais nenhum seguidor, só lhe restava viver enfraquecido pela eternidade a fora. Mas não reclamava disso, percebia agora que todos têm o seu tempo até mesmo os deuses.

Como sentia falta de seus filhos favoritos, os grandes heróis que tudo faziam para ter um único olhar do pai. Muito do mal que perseguia os homens foi derrotado desta forma. É claro, com uma ajudinha  dele, mas de um jeito que não desfavorecesse o heroísmo dos garotos.

Ah... Em sua época de juventude tinha a mulher que quisesse, sendo deusa ou mortal, tinha certa fraqueza pelas mortais. Os tempos que lutou com as forças da natureza para poder governar sobre todos. O instante em que criou o primeiro homem e, mais importante ainda a primeira mulher, nela colocou muitas qualidades. Os momentos em que teve que tomar grandes decisões, já se perdem pelo tempo.

Ainda se perguntava se a vida eterna era um privilégio ou uma maldição, e ria internamente pela ironia de tudo aquilo.

E agora apenas caminhava por ali, naquela rua de paralelepípedos e nada mais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FIGURAS DE LINGUAGEM


ENQUANTO ISSO EM UMA aula de português, em que as figuras de linguagem são descritas e destrinchadas.

PLEONASMO,  HIPÉRBATO, METÁFORA. Essas palavras voam cheias e arredondadas pelo ar. E caem no chão se contorcendo!

- Quem gosta de ser irônico aqui? – Ninguém responde. – Ironia é quando dizemos uma coisa deixando a intenção de dizer o contrario. Ser irônico é uma arte, poucos conseguem dominar totalmente a ironia, mas todos nós temos um momento irônico.  

Por que esse silencio de todos que esperam a próxima explicação?

Hipérbole é um grande exagero, como se disséssemos que o céu está caindo sobre nossas cabeças só por estar chovendo bastante.  

E talvez imaginamos outras situações de exagero e nos identificamos com algumas.

- Personificação ou prosopopeia da sentimentos a um animal ou ser inanimado. Faz com que cometa atos esperados somente de um ser humano. Na personificação um cachorro poderia falar ou um liquidificador pensar e ter sentimentos.    

E nisso, uma lufada de vento vem  pela porta aberta da sala e espalha varias folhas pelo chão.

- Precisava que bagunçassem meus papeis, não é!

- Nem que se fosse o vento, professor.

- Pois é tá aí uma personificação. Você não sabe quantas o vento apronta pelo mundo. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

PEQUENAS REFLEXÕES



E O DESENHO CRIA forma na mão do autor, como em uma eterna disputa com deus. Ele o autor, procura reproduzir os traços de deus e de alguma forma mostrar um lado de sua beleza. 

Meus desenhos são únicos, coisa que não atribui grandes qualidades a eles. Qualquer desenho é único sobre um ponto de vista. Gosto de alguns rostos que fiz, graças às modelos é claro, são lindas! Qualidades artísticas devem ter, são feitos com um simples lápis de escrever uma borracha de colégio, mais um pouco de força de vontade. Aos olhos do pai é a mais bela arte que existe. Ou quase isso.

Muitos eu perdi, por da-los de presente, mas quem sabe eles ainda estão por aí em algum lugar qualquer.